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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Irmã de Deolane cita escorpião em presídio e leva invertida da polícia

Presa desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, o fenômeno dos realities foi denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro na Operação Vérnix, ligada a um esquema do PCC, enquanto a irmã pinta um presídio de filme de terror com escorpião, prato com dejeto e água imprópria. E a polícia responde quase rindo, que essa novela tá mais para roteiro de sessão da tarde dramática do que para denúncia séria.

Kátia Flávia

11/06/2026 8h42

Daniele Bezerra denunciou supostas condições precárias enfrentadas por Deolane Bezerra na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, mas recebeu resposta da Polícia Penal do Estado de São Paulo.

Daniele Bezerra denunciou supostas condições precárias enfrentadas por Deolane Bezerra na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, mas recebeu resposta da Polícia Penal do Estado de São Paulo.

Amor, eu estava aqui no Cosme Velho, pronta para faltar à academia com responsabilidade, quando o grupo das blogueiras arrependidas começou a apitar mais que tornozeleira eletrônica em feriado prolongado. A pauta do dia? A prisão de Deolane Bezerra, que já renderia por si só, mas ganhou tempero extra com a irmã, Daniele Bezerra, transformando penitenciária em parque temático do apocalipse. Entre um cafezinho e outro, me mandaram o link de reportagem oficial dizendo que a doutora está detida desde 21 de maio na Operação Vérnix, que mira lavagem de dinheiro ligada ao PCC, e ainda foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A própria se diz inocente e afirma que o dinheiro vindo da facção é cachê jurídico, não parceria comercial.

Daí entra Daniele, a roteirista de terror dessa temporada da família Bezerra. Em entrevista, ela disse que Deolane estaria vivendo em condições sub-humanas, com infestação de escorpiões na cela e crises de pânico, sem conseguir ficar sozinha à noite. Teve a frase que virou meme instantâneo: em um dia, a influenciadora teria matado quatro escorpiões, como se o presídio fosse uma mistura de A Fazenda com Discovery Channel versão peçonhentos. Para completar o combo, a irmã descreveu prato sujo de dejeto sendo reaproveitado na cozinha e água sem condição de consumo, cena digna de filme que você vê, se choca e depois descobre que era baseado em fatos “inspirados livremente”.

Só que aí, meu bem, entra a Polícia Penal do Estado de São Paulo (PPESP) com a prancheta na mão e o desmentido em fonte tamanho 72. A PPESP afirmou que a penitenciária passou por dedetização em abril, que o local faz desratização periódica e não tem registro de animal peçonhento circulando no xadrez da doutora. Também disseram que Deolane se alimenta e toma água normalmente, com líquido próprio para consumo e analisado com frequência. Funcionários da unidade, ouvidos pela reportagem, teriam reagido às acusações com risada, como quem escuta aquela amiga aumentando tanto a história que o drama perde o efeito e vira fanfic carcerária.

Enquanto isso, as redes fizeram o que sabem fazer: dividir torcida como se fosse paredão de reality jurídico. De um lado, fãs da advogada abraçaram a versão da irmã, subiram textão emocionado e trataram cada escorpião citado como se fosse prova de perseguição institucional. Do outro, uma turma mais cética viu inconsistência entre a fala de Daniele e a nota da Polícia Penal, levantando suspeita de que a narrativa dramática pode funcionar mais no tribunal da opinião pública do que no processo oficial. Páginas de fofoca surfaram no engajamento, repostando print, manchete de site e recorte de reportagem, e o nome de Deolane se manteve em alta como se ainda estivesse em reality show, só que agora com juiz de verdade na bancada.

Da varanda aqui do Cosme Velho, a impressão da tia Kátia é que a família está tentando equilibrar duas novelas ao mesmo tempo, a jurídica e a emocional, e a irmã escolheu o roteiro da dor amplificada para ver se a plateia compra ingresso dobrado. Quando a polícia vem a público, rebate ponto a ponto e ainda deixa escapar risada, o drama de escorpião começa a cheirar mais a exagero estratégico do que a relato cru da realidade. E se tem uma coisa que juiz não costuma curtir é figurante fazendo teste para protagonista em cima do processo dos outros, então talvez fosse hora de trocar o texto da cena e deixar a dramaturgia só para a próxima temporada de reality, não para o presídio de Tupi Paulista.

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