Eu saía da missa de segunda na Nossa Senhora do Rosário, ali no Leme, ainda com aquele paz de quem foi absoluta no confessionário, quando meu telefone tocou com uma fonte do mundo corporativo que adora me contar novidade boa antes de todo mundo. E a novidade era boa de verdade: o Instituto Coca-Cola Brasil vai oferecer 10 mil bolsas de inglês gratuitas para jovens em situação de vulnerabilidade social, em parceria com a EF, a maior empresa de educação privada do planeta.
As bolsas são destinadas a quem concluir a formação do Coletivo Coca-Cola Jovem, programa que atende pessoas entre 16 e 29 anos. Os cursos são 100% online, têm duração de 12 meses e usam tecnologia com inteligência artificial combinada a professores treinados na metodologia própria da EF, tudo personalizado pelo ritmo de cada aluno. Vagas limitadas, minha gente, então quem souber de um jovem que precisa, corre atrás.
O contexto que explica por que isso importa muito: o desemprego entre jovens bateu 14,9% no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE, enquanto a média nacional ficou em 6,1%. Ao mesmo tempo, o Brasil ocupa a 75ª posição no ranking global de proficiência em inglês da EF, com nível considerado baixo. Empresas reclamam que não acham gente qualificada, e o jovem sem oportunidade não chega até a vaga. Esse programa tenta fechar esse abismo.
O histórico do ICCB não é de enfeite: desde que foi fundado, a organização já beneficiou 1 milhão de pessoas, sendo 861 mil jovens impactados pelo Coletivo. Só em 2025, foram 251 mil jovens capacitados, um crescimento de 70% em relação ao ano anterior. Seis em cada dez participantes conquistam uma oportunidade de trabalho depois da formação, com taxa de empregabilidade de 64%, e mais de 38 mil vagas foram geradas pela rede de 400 grandes empresas parceiras da iniciativa.
Saí da missa pedindo saúde e recebi de brinde uma história que vale coluna. Instituto Coca-Cola Brasil resolveu que inglês não pode ser privilégio de quem já tem privilégio, e foi buscar a maior escola de idiomas do mundo para provar esse ponto. Quem disser que empresa grande não muda vida de jovem periférico, que venha me explicar esse número de 64% de empregabilidade.