Harry Styles virou alvo de críticas por causa da arte impressa no ingresso de seu show no Madison Square Garden, em Nova York. A ilustração mostra um carro amarelo, aparentemente pilotado pelo cantor, cruzando os céus perto do Empire State Building e deixando um rastro que atravessa o edifício, imagem que parte do público associou aos atentados de 11 de Setembro.
Eu servi o frango com vagem no prato, puxei a cadeira da cozinha e olhei aquilo com o garfo suspenso. Meu amor, existe desenho que pede contexto, mas existe também contexto que pede muito mais cuidado de quem aprovou o desenho.
A polêmica ganhou força porque o show aconteceu na semana em que Nova York se prepara para marcar os 25 anos dos ataques de 11 de setembro de 2001. Quase 3 mil pessoas morreram depois que aviões sequestrados atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, numa ferida que a cidade jamais tratou como simples referência visual.

Eu cortei um pedaço do frango e pensei que a questão não é dizer que Harry Styles quis fazer uma alusão à tragédia, porque não existe confirmação disso. O problema é justamente a combinação de cidade, aeronave ou veículo voando, prédio alto, rastro atravessando a construção e uma data que ninguém em Nova York esquece.
“Colocar isso no verso na semana do 11 de setembro é uma loucura total”, escreveu uma fã. “É bonitinho, mas receio que não tenha sido uma boa ideia.” Outro internauta foi ainda mais direto: “Cara, isso é surreal. Quem foi que aprovou isso, afinal das contas?”.
Eu deixei o celular sobre a mesa e fui beber água. Porque uma equipe pode jurar que viu apenas um carro voador numa arte divertida, mas comunicação não é só o que você quis dizer; também é o que a imagem aciona em quem recebe, especialmente numa cidade com uma memória tão dolorosa.

O detalhe curioso é que o desenho usa o Empire State Building, não o local onde ficavam as Torres Gêmeas. Ainda assim, isso não impediu que a proximidade com a data e a composição da arte fossem lidas como uma coincidência infeliz. E, em matéria de ingresso de show, coincidência ruim também dá trabalho.
Eu terminei o almoço sem grande cerimônia e fiquei com a frase da fã na cabeça: quem aprovou isso? Às vezes, a diferença entre uma arte pop e uma baita dor de cabeça está numa revisão de cinco minutos antes de mandar imprimir.
Nem Harry Styles nem sua equipe haviam se manifestado sobre a repercussão até a publicação da reportagem. O ingresso, porém, já tinha garantido o que nenhum fã quer receber junto com a entrada de um show: uma polêmica completamente desnecessária.