Inês Brasil subiu num palco de stand-up no Rio de Janeiro, pegou o microfone e fez o que nenhum advogado de defesa, nenhuma assessoria de imprensa e nenhum influencer patrocinado conseguiu fazer pela Deolane Bezerra: orou. Com fé genuína, pediu que, se a doutora for inocente, saia da cadeia e se não for, que sirva de exemplo. Cobertura jornalística da situação mais honesta que eu vi nos últimos dias.
Quem acompanha a trajetória de Inês sabe que ela tem um dom raro no entretenimento brasileiro: diz exatamente o que pensa, sem consultoria de imagem e sem relações públicas filtrando o texto. A frase “tomara que ela não matou o marido” foi dita ao vivo, com plateia, numa casa de stand-up carioca, enquanto a Deolane está recolhida numa penitenciária no interior de São Paulo, presa desde 21 de maio na Operação Vérnix por suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Nas redes, o vídeo da oração de Inês virou o tipo de conteúdo que o algoritmo ama e a assessoria chora. Os comentários se dividiram entre quem achou lindo, quem achou absurdo e quem simplesmente não conseguiu parar de assistir. A Deolane, que antes de ser presa ainda exibia uma bolsa de R$ 325 mil no Instagram, virou o assunto mais rezado e mais comentado da semana, com ou sem habeas corpus.
Eu estava saindo do MALBA quando o vídeo chegou no meu celular, e precisei parar na calçada para assistir duas vezes. Porque tem horas que o Brasil produz um material tão genuíno que nenhum roteirista pagaria para inventar.
O veredito da Kátia: Inês Brasil entregou num stand-up carioca o que todo mundo estava pensando em privado. A oração tem teologia questionável, tem timing perfeito e tem a coragem que falta em gente muito mais bem paga. Se a Deolane algum dia sair, deve pelo menos um café a essa mulher.