Walcyr Carrasco se pronunciou em defesa de João Victor Gonçalves após o ator de “Quem Ama Cuida” denunciar ter sofrido homofobia durante uma abordagem transmitida ao vivo no entorno do Rock in Rio. O autor da novela classificou o episódio como um ataque e reforçou: “Homofobia não é entretenimento, é crime”.
Eu já tinha empurrado a xícara vazia para o canto da mesa e estava juntando as migalhas do pão no pratinho quando apareceu o vídeo de Walcyr. Aí eu parei. Porque quando o autor da novela entra no caso para defender o próprio ator, a história deixa de ser só mais uma confusão de live e ganha o tamanho que sempre teve: uma agressão que ninguém deveria chamar de conteúdo.
“Estou passando aqui para prestar minha solidariedade ao João Victor Gonçalves, o Mau Mau de ‘Quem Ama Cuida’, e dizer que ele sofreu um ataque homofóbico”, disse Walcyr. “Vamos ficar contra essa atitude que tiveram com ele. Vamos torcer para que ele fique bem depois disso e vamos em frente com a história de Mau Mau.”

João Victor agradeceu o apoio do autor nos comentários. “Obrigado, Walcyr. Vamos juntos com nossa novela mudar essas pessoas”, escreveu o ator. Eu fiquei olhando aquela resposta e pensando no absurdo da situação: Mau Mau enfrenta homofobia dentro de casa na ficção, e o intérprete precisou lidar com uma violência parecida na vida real, ao tentar chegar a um festival.
O caso aconteceu quando João Victor caminhava nas proximidades da Cidade do Rock e foi abordado por GH Rell RJ e outros rapazes durante uma live. O grupo fez comentários sobre sua aparência e roupa, chamando-o de “cara horroroso” e rindo enquanto ele acelerava o passo para ir embora. Segundo o ator, a abordagem o deixou acuado e com medo de ser roubado.
GH primeiro pediu desculpas, dizendo que poderia ter errado na abordagem. Horas depois, porém, voltou às redes, negou ter cometido homofobia, manteve as críticas à roupa do ator e passou a acusá-lo de racismo por ele ter dito que sentiu medo de ser roubado. O streamer também afirmou que passou a receber ataques racistas após a repercussão.

Eu lavei o pratinho e deixei a torneira aberta um pouco mais do que precisava, porque a história é de uma falta de sensibilidade que dá até vontade de esfriar a cabeça dentro d’água. Pedido de desculpas não serve de borracha para apagar o vídeo original, assim como ataques racistas contra GH também não podem ser normalizados. Uma coisa não inocenta nem anula a outra.
A fala de Walcyr veio como um recado para quem ainda insiste em tratar humilhação pública como entretenimento de internet. O próprio João Victor resumiu antes: “Homofobia não é entretenimento”. E não é mesmo. Não é pegadinha, não é liberdade para ridicularizar alguém na rua, não é pauta para render corte e engajamento.
A Decradi, Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, apura o caso, e o Ministério Público do Rio recebeu uma denúncia anônima. O Rock in Rio repudiou violência, assédio, discriminação e preconceito, embora tenha informado que a abordagem ocorreu fora do perímetro de segurança do evento.