A Sanrio, dona da Hello Kitty, pediu desculpas e cancelou a parceria com a série japonesa Vivant após a produção ser alvo de críticas na China por sua representação de acontecimentos históricos da guerra entre os dois países. Os produtos licenciados já foram retirados de circulação no Japão.
Eu tinha terminado a sequência de perna e subi na escada para fechar a primeira parte do treino quando pensei: nem a Hello Kitty escapou de uma crise diplomática, minhas filhas. A bichinha vive de lacinho, maçã e carinha fofa, mas foi parar no centro de uma discussão histórica que ninguém resolve com adesivo cor-de-rosa.

A empresa afirmou que a série continha “expressões incompatíveis com a filosofia corporativa da Sanrio”. A colaboração havia sido fechada depois da primeira temporada de Vivant, em 2023, e colocou personagens como a Hello Kitty vestidos como figuras da produção.
Eu comecei a marcar os degraus com mais calma porque tem marca que aprende, do jeito mais caro possível, que licenciamento não é só botar personagem em produto e contar os ienes. Quando você vende em um mercado gigante, precisa saber que cultura, memória e política também entram na embalagem.
Veículos estatais chineses criticaram a série por, segundo eles, distorcer a história da agressão japonesa contra a China durante o período de guerra. Algumas cenas foram interpretadas como tentativa de atribuir aos chineses atrocidades cometidas pelas forças japonesas.
Eu fui para os abdominais e pensei que passado histórico é assunto que exige muito mais delicadeza do que uma campanha publicitária costuma prever. Uma produção pode nascer como entretenimento em um país e chegar a outro carregando significados que a empresa parceira não calculou.
A repercussão foi tão grande que o cancelamento da colaboração virou um dos assuntos mais comentados no Weibo, rede social chinesa. A Sanrio também informou que reforçará os processos internos de análise antes de fechar futuras parcerias.
Eu contei as repetições e achei que a Hello Kitty merecia estar ocupada com um chá, uma maçã e um aniversário fofo, não no meio de uma crise internacional. Mas marca global é isso: o lacinho pode ser pequeno, só que o impacto de uma escolha errada atravessa oceano, idioma e mercado.

A China é essencial para a Sanrio, com mais de 60 lojas e participação expressiva nas vendas internacionais da empresa. Eu encerrei a série de abdômen com o veredito do dia: até o império da fofura precisa entender que, em certos assuntos, pedir desculpas e recuar é bem mais inteligente do que insistir no erro.