Eu estava indo almoçar para me despedir das amigas antes de passar uma temporada em Portugal quando fiz aquela parada sentimental que toda mãe de cachorro conhece. Fui deixar o Otávio com uma amiga. Meu poodle ficou, eu quase fiquei também e, no meio desse drama digno de separação com guarda compartilhada, descubro que o HACKTUDO completa dez anos. E com a Petrobras apresentando a festa. Tecnologia também sabe comemorar aniversário com patrocinador de peso, meu amor.
O HACKTUDO Festival de Cultura Digital ocupa o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro neste sábado e domingo, 26 e 27 de setembro. Depois faz algo inédito em sua história: desembarca em São Paulo nos dias 3 e 4 de outubro, na Praça das Artes. A entrada é gratuita e a programação reúne arte, ciência, inteligência artificial, realidade mista, games, drones e robótica.


Parei no robô jogando futebol. Literalmente. A RoboCup SPL coloca em campo máquinas autônomas de equipes da UnB, IME e ITA. Elas tomam decisões e executam jogadas a partir dos algoritmos desenvolvidos pelos pesquisadores. Ou seja, enquanto muito executivo ainda marca reunião para decidir a pauta da próxima reunião, o robô já entrou em campo e resolveu sozinho.
Tem dinheiro, tecnologia e educação sentados na mesma mesa. O evento é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras. No Rio, conta ainda com patrocínio da Prefeitura do Rio, Bemobi e Dataprev. Em São Paulo, Hotels.com e A+ Medicina Diagnóstica aparecem entre os patrocinadores, com apoio da Prefeitura de São Paulo e da Fundação Theatro Municipal.


E o aniversário ganhou obra própria. O Mundo Girou, criada pelo idealizador e diretor geral do HACKTUDO, Miguel Colker, usa 20 cubos giratórios, com 80 faces, para revisitar transformações da última década por meio de dados, imagens, manchetes, previsões, gráficos, objetos e QR Codes. Dez anos de tecnologia resumidos numa instalação. Meu extrato bancário não precisa participar dessa retrospectiva, obrigada.
Também voltam os HackDrones, com oficinas de pilotagem, simuladores e diferentes modelos de drones, além da Arena Hockey, em que o próprio público controla os robôs. A instalação Medusa, de Rodrigo Rez, retorna com mais de 100 metros de fitas de LED sensíveis a sons e movimentos. E o Cérebro Luz ganha a experiência sonora Vozes da Mente, dedicada à relação entre cérebro humano e inteligência artificial.

O projeto chega à décima edição do festival mostrando justamente o que o mercado adora colocar em PowerPoint e nem sempre consegue entregar na vida real: tecnologia acessível para gente de verdade experimentar. Eu sigo para Portugal, Otávio fica no Brasil e os robôs vão jogar futebol no MAM. Pelo visto, todo mundo tem agenda.