Eu estou oficialmente de folga da academia neste feriado, mas Brasília aparentemente não recebeu o memorando. Porque enquanto eu estou no Cosme Velho tentando convencer meu corpo de que ficar deitada também é atividade física, Gui Khury resolveu voar a quatro metros do chão e transformar a capital federal numa pista particular.
E eu estou acompanhando tudo. Tudo! Já recebi mensagem, resultado, nota, classificação e só não recebi um skate porque Deus conhece os limites desta jornalista.

O curitibano de apenas 17 anos foi campeão do Pro Tour STU Brasília 2026 no Skate Vertical, neste domingo (6), no Parque Sarah Kubitschek. E não foi aquela vitória apertadinha que exige calculadora, recurso e reunião de condomínio. Gui simplesmente conseguiu todas as notas de suas quatro voltas na final acima dos 90 pontos.
Segura a progressão porque é aqui que Brasília perdeu a compostura: 93,24. Depois 95,83. Depois 96,77. E finalmente 97,20.
Meu amor, isso não é evolução de nota. É ameaça.

E teve roteiro de cinema. A chuva chegou com força, atrasou a programação em cerca de uma hora e meia e deixou aquele céu de Brasília com cara de que ia acabar com a festa. O público voltou, lotou novamente o complexo e assistiu aos skatistas encararem uma rampa de 4,20 metros de altura.
Gui já chegou à decisão como um dos favoritos. Ainda criança, havia entrado para o Guinness World Records e hoje acumula uma trajetória internacional expressiva. Segundo as informações divulgadas pelo STU, ele soma 20 medalhas nos X Games: 13 de ouro, cinco de prata e duas de bronze.

Mas nem ele esperava uma sequência dessas. O próprio skatista contou que foi a primeira vez na vida em que conseguiu todas as notas acima dos 90 pontos numa mesma fase de competição. E tem um detalhe que explica um pouco essa criatura: depois de tirar 93,24, Gui disse que nem ficou tão satisfeito. Achou que tinha mais manobras para entregar.
Aos 17 anos eu queria dormir até meio-dia. Gui Khury tira 93 e pensa: “dá para melhorar”.
Melhorou.

O francês Edouard Damestoy terminou em segundo lugar, com 90 pontos, e o brasileiro Luigi Cini completou o pódio, com 89,11. Rony Gomes ficou em quarto, com 88,17.
E Brasília, que já vive de gente tentando chegar ao topo, ganhou neste domingo uma modalidade diferente: um menino de 17 anos chegando lá literalmente pelo ar.

Agora vou continuar acompanhando daqui porque o STU ainda segue seu circuito e a próxima parada será São Paulo. Mas uma coisa já ficou decidida nesta casa: se Gui Khury tirar 98 na próxima, eu abandono o sofá. Não prometi levantar. Só abandonar o sofá.