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Kátia Flávia
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Guerra no ICL: Demori sobe o tom e ameaça expor bastidores da própria demissão

Jornalista afirmou que foi afastado por decisão unilateral da direção do ICL, prometeu contar detalhes da saída em outro momento e lançou financiamento coletivo para seguir atuando durante o período eleitoral.

Kátia Flávia

13/07/2026 15h15

Leandro Demori afirmou que foi tirado do ar pelo ICL por decisão unilateral da direção

Leandro Demori afirmou que foi tirado do ar pelo ICL por decisão unilateral da direção

Leandro Demori subiu o tom contra o ICL nesta segunda-feira (13) ao afirmar, em carta aberta, que foi “tirado do ar” por decisão unilateral da direção da empresa. O jornalista disse que deixou a operação “de um dia para o outro”, prometeu revelar futuramente os bastidores do desligamento e anunciou uma campanha de financiamento coletivo para manter seu trabalho durante a eleição.

Eu já tinha saído da loja de óculos em Ipanema com uma sacolinha pequena e uma pulga enorme atrás da orelha quando essa guerra santa do jornalismo progressista apareceu na tela. Parei na porta, botei os óculos novos no rosto sem nem tirar a etiqueta direito e pensei: “Pronto, virou DR de esquerda com ata, vaquinha e ameaça de bastidor”. Minha filha, quando jornalista escreve carta aberta dizendo que vai contar tudo depois, pode separar a pipoca e o advogado.

Jornalista prometeu revelar futuramente os bastidores de sua saída
Jornalista prometeu revelar futuramente os bastidores de sua saída

Na carta, Demori escreveu que não entraria em detalhes sobre os bastidores naquele momento, mas afirmou que eles “em algum momento virão à tona”. Segundo ele, o fato concreto é que deixou de fazer parte da operação do ICL de forma repentina.

O jornalista também disse que não pretende ficar fora da disputa eleitoral que se aproxima. Para isso, lançou uma campanha no Apoia.se e afirmou que continuará fazendo jornalismo investigativo de maneira independente, agora sem a estrutura jurídica de uma empresa para dividir o peso de eventuais processos.

Essa parte é importante, porque jornalismo político no Brasil não é exatamente passeio de pedalinho. Demori lembrou que, até agora, tinha uma empresa por trás para ajudar a bancar a estrutura. Sozinho, vai depender do público para manter apuração, defesa jurídica e cobertura no período que ele chama de decisivo.

A nova manifestação amplia o racha público entre Demori e Eduardo Moreira, fundador do ICL. No fim de semana, o jornalista já havia enviado uma carta ao Conselho Editorial dizendo que recebeu a missão de cortar 30% do orçamento do jornalismo antes de ser demitido e atribuiu a crise financeira da instituição a decisões da direção. Do outro lado, Eduardo Moreira afirmou que a saída fazia parte de uma reestruturação financeira e de uma mudança de gestão no jornalismo.

Eu, que adoro bastidor com planilha e ego ferido, vejo aqui um prato cheio. Tem corte de custo, versões conflitantes, carta aberta, promessa de revelação futura e vaquinha para continuar na eleição. É praticamente uma novela das seis produzida por comitê editorial, só que com menos filtro e mais PDF emocional.

Demori lançou campanha de financiamento coletivo para seguir atuando durante o período eleitoral
Demori lançou campanha de financiamento coletivo para seguir atuando durante o período eleitoral

Demori ainda contou que está finalizando um livro sobre o exercício do poder no Brasil contemporâneo, com lançamento previsto para o período da campanha. Segundo ele, a obra vai tratar de como o poder é exercido, escondido e disputado no país.

Ou seja: se já estava quente com a demissão, a temperatura subiu para modo lava. O ICL fala em reestruturação, Demori fala em afastamento unilateral, e o público agora fica no meio tentando entender se foi contenção de despesa, disputa de comando ou guerra de bastidor mal disfarçada de planilha. Uma coisa é certa: essa saída não acabou na porta da empresa. Ela só começou ali.

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