Leandro Demori subiu o tom contra o ICL nesta segunda-feira (13) ao afirmar, em carta aberta, que foi “tirado do ar” por decisão unilateral da direção da empresa. O jornalista disse que deixou a operação “de um dia para o outro”, prometeu revelar futuramente os bastidores do desligamento e anunciou uma campanha de financiamento coletivo para manter seu trabalho durante a eleição.
Eu já tinha saído da loja de óculos em Ipanema com uma sacolinha pequena e uma pulga enorme atrás da orelha quando essa guerra santa do jornalismo progressista apareceu na tela. Parei na porta, botei os óculos novos no rosto sem nem tirar a etiqueta direito e pensei: “Pronto, virou DR de esquerda com ata, vaquinha e ameaça de bastidor”. Minha filha, quando jornalista escreve carta aberta dizendo que vai contar tudo depois, pode separar a pipoca e o advogado.

Na carta, Demori escreveu que não entraria em detalhes sobre os bastidores naquele momento, mas afirmou que eles “em algum momento virão à tona”. Segundo ele, o fato concreto é que deixou de fazer parte da operação do ICL de forma repentina.
O jornalista também disse que não pretende ficar fora da disputa eleitoral que se aproxima. Para isso, lançou uma campanha no Apoia.se e afirmou que continuará fazendo jornalismo investigativo de maneira independente, agora sem a estrutura jurídica de uma empresa para dividir o peso de eventuais processos.
Essa parte é importante, porque jornalismo político no Brasil não é exatamente passeio de pedalinho. Demori lembrou que, até agora, tinha uma empresa por trás para ajudar a bancar a estrutura. Sozinho, vai depender do público para manter apuração, defesa jurídica e cobertura no período que ele chama de decisivo.
A nova manifestação amplia o racha público entre Demori e Eduardo Moreira, fundador do ICL. No fim de semana, o jornalista já havia enviado uma carta ao Conselho Editorial dizendo que recebeu a missão de cortar 30% do orçamento do jornalismo antes de ser demitido e atribuiu a crise financeira da instituição a decisões da direção. Do outro lado, Eduardo Moreira afirmou que a saída fazia parte de uma reestruturação financeira e de uma mudança de gestão no jornalismo.
Eu, que adoro bastidor com planilha e ego ferido, vejo aqui um prato cheio. Tem corte de custo, versões conflitantes, carta aberta, promessa de revelação futura e vaquinha para continuar na eleição. É praticamente uma novela das seis produzida por comitê editorial, só que com menos filtro e mais PDF emocional.

Demori ainda contou que está finalizando um livro sobre o exercício do poder no Brasil contemporâneo, com lançamento previsto para o período da campanha. Segundo ele, a obra vai tratar de como o poder é exercido, escondido e disputado no país.
Ou seja: se já estava quente com a demissão, a temperatura subiu para modo lava. O ICL fala em reestruturação, Demori fala em afastamento unilateral, e o público agora fica no meio tentando entender se foi contenção de despesa, disputa de comando ou guerra de bastidor mal disfarçada de planilha. Uma coisa é certa: essa saída não acabou na porta da empresa. Ela só começou ali.