Amores estou no Cosme Velho, unha feita, cabelo impecável, maquiagem no ponto certo, de vestido escolhido desde o almoço, esperando a hora de sair com as amigas, quando resolveu ligar a televisão só para passar o tempo até a novela começar. Foi aí que um conhecido do setor têxtil ligou com aquela voz de quem tem novidade boa, contando que o Grupo Posthaus tinha feito um movimento que merecia atenção.
A movimentação tem dois atos simultâneos. O primeiro: Robson Parzianello, que já era do conselho, assume a Diretoria Comercial com um escopo incomum, reunindo sob a mesma liderança as áreas de comercial, marketing, e-commerce, tecnologia e pós-venda. É o tipo de reorganização que reduz ruído entre times e acelera decisão, algo que o grupo claramente identificou como gargalo numa operação que navegou dentro de um setor que faturou R$ 2,9 bilhões em 2025, com alta de 35%.
O segundo ato é onde a aposta fica de fato interessante. O Posthaus está se posicionando como plataforma de fulfillment para marcas parceiras, oferecendo toda a operação logística a terceiros, do recebimento ao cliente final, sem tocar na identidade ou estratégia de quem contrata. A estrutura já existe e é robusta: centro de distribuição automatizado com 4,5 quilômetros de esteiras, WMS próprio integrado a ERPs como Bling e Tiny, e hub conectado a mais de 40 transportadoras. Não é projeto no papel, é operação rodando há 17 anos.
Os números do primeiro ano dessa vertical B2B apontam redução de até 45% nos custos logísticos para os parceiros, com taxa de erro declarada de 0,01% e operação que passou pelo teste da Black Friday de 2025, quando o e-commerce brasileiro movimentou R$ 30 bilhões em novembro. Parzianello ainda trouxe da conferência HumanX 2026 a visão de que inteligência artificial já está ativa nos processos de curadoria de imagem, precificação e relacionamento com consumidor, com autonomia crescente dos sistemas.
Uma varejista regional que decide abrir sua infraestrutura para o mercado não está apenas diversificando receita: está apostando que seu maior ativo não é o produto que vende, mas a máquina que construiu para entregá-lo. Se o modelo escalar, o Grupo Posthaus para de competir com outras lojas de moda e vira a espinha dorsal logística de quem compete. A Kátia saiu para encontrar as amigas com esse pensamento na cabeça e, convenhamos, com assunto novo para a mesa.