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Kátia Flávia
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Granado Perfume Week lota Jockey e esgota Buona Fortuna no 1º dia

Primeira feira exclusiva de perfumaria do Brasil levou cerca de 1.800 pessoas ao EXC Jockey Club, no Rio, nos dias 21 e 22 de outubro, e a anfitriã ainda saiu do evento com a prateleira zerada.

Kátia Flávia

26/10/2026 11h00

Granado Perfume Week reuniu cerca de 1.800 pessoas no EXC Jockey Club, no Rio de Janeiro.

Granado Perfume Week reuniu cerca de 1.800 pessoas no EXC Jockey Club, no Rio de Janeiro.

Eu ainda estava desfazendo a mala de Portugal no Cosme Velho, separando os vidrinhos de perfume que trouxe na bagagem de mão, quando o telefone tocou e uma amiga que circula bem no mercado de beleza carioca me contou, sem nem dar bom dia, que a Granado tinha feito a Faria Lima dos perfumes dentro do Jockey. Larguei os frascos na cama na hora. Enquanto eu me despedia de Sintra, a farmácia mais antiga e mais chique do Rio montava a primeira feira do país dedicada só à perfumaria, a Granado Perfume Week, com o tema “Uma viagem pelo universo da perfumaria”, talks, painéis, workshops e experiências olfativas.

O elenco tinha cara de festa de lançamento de fundo bilionário. No palco, Luiza Trajano, a rainha do varejo nacional que transforma qualquer conversa em aula de expansão, dividiu a lista de speakers com o humorista Rafael Portugal e com Gabriela Brandt. Nos estandes, apareceram as casas de fragrância que, na prática, decidem o cheiro de meio planeta: DSM Firmenich, MANE, IFF, Symrise e Givaudan. Eu chamo esse grupo de Conselho de Segurança do Olfato, porque é dali que saem as essências por trás de boa parte dos perfumes que você compra no shopping sem saber quem criou.

E a Granado ainda trouxe gente de fora com cargo de peso. Jacques Huclier, perfumista sênior da Givaudan, e Arnaud Guggenbuhl, head de marketing global da mesma casa, circularam por lá, assim como David Apel, VP sênior perfumista da Symrise, e Luciana Knobel, VP de criação de fragrâncias da Symrise. Para completar o casting, o lado nicho veio representado por Amyi, Lenvie, ByNomads, Becquer e Scentinela, e a turma de comportamento e consumo contou com Luiza Souza, Renata Ashcar, Helen Augusto e Matheus Ueta. Juntar fornecedor global, marca independente e consumidor no mesmo salão é jogada de quem quer ser dona da conversa inteira do setor, da fábrica ao balcão.

Agora vem a parte que me faz levantar a taça. O Buona Fortuna, lançamento apresentado durante a feira, esgotou no estande da marca logo no primeiro dia. Na língua do mercado, isso tem nome: demanda reprimida comprovada na frente de todo mundo, com fornecedor internacional assistindo da fileira da frente. Nenhuma apresentação de PowerPoint convence tanto um investidor quanto uma prateleira vazia às cinco da tarde.

Quem comandou o espetáculo foi Sissi Freeman, diretora de marketing da Granado, com o sobrenome da casa e a postura de quem já pensa na temporada seguinte. Ela disse que a ideia era reunir num mesmo espaço as vozes que constroem a perfumaria, da criação de uma fragrância à relação das pessoas com ela, e já avisou que espera receber o público de novo no próximo ano. Ou seja, a primeira edição já nasceu com renovação de contrato assinada.

E faz todo sentido a Granado querer esse trono. Fundada em 1870, nomeada Farmácia Oficial da Família Imperial, comprada em 1994 por Christopher Freeman e dona da Phebo desde 2004, a marca passou décadas construindo patrimônio de tradição e agora resolveu transformar essa herança em evento proprietário, com público pagando para entrar no mundo dela. Meu veredito de colunista com o nariz treinado em duty free europeu: a Granado criou o próprio palco, chamou as gigantes para figurar e ainda saiu com o produto esgotado. Isso é poder de marca de verdade.

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