E olha, valeu cada segundo perdido: o 54º Festival de Cinema de Gramado anunciou hoje os documentários da mostra competitiva, e a Globo entrou com “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, sobre os desdobramentos do projeto colonial europeu e da supremacia branca, com depoimentos de Djamila Ribeiro, Erika Hilton e Grada Kilomba. Mas o documentário é só a ponta do iceberg: a emissora vai ao festival com sete produções no total. “Antártida”, com Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Lázaro Ramos e companhia, abre o festival fora de competição no dia 14 de agosto e chega aos cinemas em 17 de setembro. Na mostra competitiva de longas entram “Chorão: Só os Loucos Sabem”, com José Loreto irreconhecível interpretando o cantor, “Nosso Segredo”, primeira direção de longa de Grace Passô, e “Pele de Rinoceronte”, com Débora Falabella e Naruna Costa revisitando os anos 70 e o debate sobre feminicídio. Fora de competição ainda entram “D.P.A. 4” e a série “Emergência 53”, que traz até uma participação especial de Fernanda Montenegro.
Aqui não teve stories, não teve unfollow, não teve nada disso: foi comunicado oficial, direto da assessoria da Globo, sem meia palavra e sem espaço pra fofoca de bastidor. Mas dá pra ler a estratégia sem precisar de print nenhum.

Reparem no timing: a Globo não manda um filme pro festival, manda sete de uma vez, cobrindo documentário, comédia infantil, drama histórico, biografia musical e série médica. Isso não é acaso, é ocupação de território. Quem chega em Gramado com essa quantidade de produção não está torcendo por um Kikito, está lembrando o mercado inteiro quem ainda manda no audiovisual brasileiro, principalmente numa época em que streaming e produtora independente andam disputando espaço que era território cativo da emissora.
Serra Gaúcha de 12 a 22 de agosto vai virar sala de embaixada carioca, com metade do elenco global fazendo ponte aérea Rio-Gramado só pra desfilar no red carpet. Eu já reservei hotel, já separei o casaco de pele sintética que ainda não estreei esse ano, e já aviso: se a coletiva do Chorão não tiver bastidor de bar de rock nacional chorando pela ausência do Chorão de verdade, eu mesma finjo um soluço no fundo da sala.