Minhas filhas, eu estava aqui no Cosme Velho acompanhando as novidades do mundo da música quando me deparei com uma informação que merece atenção. Grag Queen resolveu que o Brasil estava pequeno para o tamanho do seu salto alto e levou um de seus maiores sucessos para as pistas europeias. E não foi para qualquer festinha, não! A cantora escolheu o Amsterdam Dance Event, na Holanda, para apresentar uma nova versão de “Fim de Tarde”. A brasileira foi colocar os holandeses para dançar. E com produção carioca!
A música, lançada originalmente em 2022, ganhou uma roupagem afro house assinada pelos DJs R-GO e Junior Campos, dois profissionais que conhecem a noite carioca como poucos. O remix mantém os vocais de Grag, mas troca a atmosfera da gravação original por batidas eletrônicas, percussão e aquela energia feita para quem não pretende abandonar a pista antes do amanhecer. A apresentação estava marcada para o último sábado (24), no Luminair Rooftop, durante a programação da Casa Brasil by Hot Beats.

Agora, prestem atenção no detalhe que eu achei mais interessante: os dois produtores não chegaram ontem ao mercado. R-GO, nome artístico de Rogério Gonçalves, acumula três décadas de carreira e foi eleito duas vezes o melhor DJ da cena carioca pela revista DJ Sound. Junior Campos, por sua vez, passou pela programação musical de rádios como Jovem Pan RJ, Mix FM e Transamérica. Ou seja, minhas queridas, a operação não foi montada por dois rapazes que descobriram um aplicativo de mixagem na semana passada.
E Grag também não está brincando de carreira internacional. Vencedora do reality Queen of the Universe e apresentadora do Drag Race Brasil, a artista já passou pelo Rock in Rio, pelo The Town e levou a turnê do álbum “Cósmica” a 16 cidades americanas. Agora, aparece confirmada no Lollapalooza Brasil de 2027. São mais de 42 milhões de streams acumulados, segundo os números divulgados por sua equipe.
O que me chamou a atenção nessa história foi a estratégia. Enquanto muita gente ainda trata a música drag como um produto restrito a determinados públicos, Grag está fazendo justamente o contrário: ampliando seu alcance, entrando no circuito internacional da música eletrônica e colocando produtores brasileiros nessa conversa. E a escolha do afro house não é um detalhe. É uma maneira de apresentar uma música já conhecida em outro ambiente, para outro público.
E eu vou falar uma coisa, minhas filhas: Grag Queen entendeu que uma carreira internacional não se constrói apenas com uma bandeirinha brasileira na mala e uma foto bonita no aeroporto. É preciso circular, trabalhar repertório e encontrar parceiros capazes de abrir novas portas. Dessa vez, ela levou dois DJs cariocas na bagagem musical. Porque, convenhamos, se é para conquistar a Europa, que seja com uma boa produção e uma pista cheia. O resto é só pose para fotografia.