Ney Matogrosso falou sem rodeios sobre amor, desejo e casamento no documentário “Ney por trás das máscaras”, exibido no Festival do Rio. Aos 85 anos, o cantor afirmou que não suporta a ideia de se casar e que prefere relações sem a obrigação de dar satisfações o tempo inteiro.
Almoçando com as amigas em Fátima, em Portugal, quando me deparei com Ney dando aula de sinceridade afetiva. Tem gente que aos 85 ainda está escondendo sentimento atrás de frase pronta; ele sentou, falou de amor, safadeza e aliança no dedo sem pedir licença para ninguém.

“Não suporto casamento. Gosto de namorar. Aliança no dedo? Deus que me livre. Nunca quis. Não gosto dessa situação, de ter que dar satisfação o tempo todo, porque eu enjoo”, declarou o artista.
Ney ainda foi além ao explicar que não acredita que esse cansaço seja exclusivo dele. “Acho que todo mundo enjoa, não só eu. Sempre gostei da safadeza, e gosto ainda da sem-vergonhice”, afirmou, entregando uma frase que já nasceu pronta para virar legenda de foto e discussão de mesa de bar.
Eu pedi mais água e pensei: o homem não quer casamento, mas também não está falando de ausência de afeto. Ney faz uma distinção muito clara entre amar e aceitar uma estrutura que, para ele, parece mais contrato de condomínio do que encontro de duas pessoas.
O cantor contou que mudou a maneira de lidar com os sentimentos ao longo dos anos. “É bom também quando a gente está apaixonado, se joga na lama. Eu gosto disso hoje até mais do que gostava”, disse, ao admitir que o tempo o deixou mais maleável.
Na intimidade, ele contou que hoje consegue fazer perguntas que antes pareciam graves demais. “Você me ama? Meu amor gosta do quê?”, brincou Ney, antes de lembrar que o amor pode existir intensamente num dia e não estar mais ali no outro.
Eu olhei para as amigas e concluí: Ney Matogrosso não está pregando frieza, está defendendo liberdade. E, vindo de alguém que transformou a própria existência em arte, figurino, coragem e reinvenção, a fala ganha outro tamanho.

Dirigido por Esmir Filho, “Ney por trás das máscaras” acompanha o cantor em 2025, durante a preparação para o desfile da Imperatriz Leopoldinense. Em certo momento, ele até interrompe a reflexão sobre afeto para soltar uma de suas: “O que tem a ver o cu com as calças? Não é sobre carnaval que a gente estava falando?”.