A GloboNews precisou fazer uma correção e pedir desculpas após a comentarista Maria Cristina Fernandes reproduzir, no “Em Pauta”, uma informação incorreta sobre uma suposta mobilização evangélica para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O projeto citado, na verdade, é de 2007 e foi arquivado pela Câmara em 2008.
Já com a entrada na mesa e as amigas comentando a notícia entre uma garfada e outra, eu parei para prestar atenção no tamanho do constrangimento. Porque não foi uma errata discreta, minhas filhas. A emissora voltou ao assunto de madrugada para avisar que não há projeto em tramitação com esse objetivo.
No comentário que virou assunto nas redes, Maria Cristina afirmou que evangélicos ligados a Flávio Bolsonaro se movimentariam por um projeto para mudar o título de Nossa Senhora Aparecida. A fala aconteceu durante o debate sobre a corrida eleitoral e provocou reação imediata pela gravidade da informação.

O detalhe é que o PL 2623/2007, apresentado pelo então deputado Victório Galli, pretendia alterar a lei que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A proposta, porém, foi rejeitada na comissão responsável e arquivada em agosto de 2008. Ou seja: ressuscitaram um projeto que já estava enterrado havia quase duas décadas. Que climão de estúdio, meu amor.
Enquanto uma das amigas pedia mais pão para dividir a entrada, eu fui conferir o histórico da Câmara e a situação é cristalina: o texto não avançou, não virou lei e não está em discussão no Congresso. A GloboNews reconheceu o erro e pediu desculpas pela informação levada ao ar.

A comentarista também se desculpou publicamente e admitiu que usou como base uma referência equivocada. O caso explodiu nas redes porque misturou religião, política e uma acusação pesada contra um grupo político sem que existisse, hoje, uma proposta legislativa correspondente.
A própria Câmara registra que o projeto de 2007 foi arquivado após receber parecer contrário. A proposta queria trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas não passou da fase inicial de tramitação.
No fim, ficou aquele silêncio que pesa mais que qualquer debate: informação política exige cuidado redobrado, especialmente quando envolve fé e uma figura tão simbólica para milhões de brasileiros. Eu terminei a entrada olhando para as amigas e decretando: corrigir é necessário, mas evitar uma bomba dessas no ar é obrigação.