Galvão Bueno levou para o SBT uma das marcas mais conhecidas de suas transmissões de Copa do Mundo: o Olodum. O grupo baiano, parceiro tradicional do narrador nos jogos da Seleção Brasileira desde 2002, vai integrar a cobertura do Mundial de 2026 nos pré-jogos comandados por Galvão.
Sentei na escrivaninha com as unhas ainda brilhando e a agenda da tarde me encarando como se eu tivesse cometido um crime administrativo. Tentei abrir uma planilha, falhei moralmente no terceiro clique e comecei a organizar uns papéis só para fingir produtividade. Foi aí que apareceu Galvão Bueno levando uma tradição histórica das Copas para o SBT. Parei tudo. Porque quando Galvão muda de emissora e carrega até o tambor junto, minha filha, não é transferência. É mudança com trio elétrico.

A estreia da nova parceria está prevista para o jogo entre Brasil e Marrocos, no sábado (13), às 19h, pela primeira rodada da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. A ideia é que o Olodum participe dos pré-jogos com interações ao vivo diretamente do Pelourinho, em Salvador, onde serão instalados telões para a torcida acompanhar as partidas.
A relação entre Galvão e Olodum virou tradição nas transmissões da Seleção. Desde 2002, o grupo baiano passou a aparecer nas coberturas dos jogos do Brasil, embalando aquele clima de “vai começar a Copa” que muita gente associa diretamente à voz do narrador. Era vinheta emocional, batuque, torcida e pulmão de Galvão no mesmo pacote.
O projeto “Torcida Brasil Olodum”, realizado no Pelourinho desde 1990, ganhou ainda mais projeção nacional justamente com essas aparições na TV. Nos últimos Mundiais, o evento chegou a reunir mais de 20 mil torcedores em Salvador para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.
Agora, a tradição muda de casa. Galvão, que deixou a Globo e virou uma das principais apostas do SBT para a Copa, levou junto um símbolo afetivo de suas coberturas. Para o público, a cena tem cara de déjà-vu com crachá novo: Galvão narrando, Brasil em campo e Olodum chamando a torcida antes da bola rolar.

A Globo, claro, segue com sua própria cobertura. Mas perder o Olodum para o pacote de Galvão no SBT tem aquele gosto de ver ex sair de casa levando a cafeteira, o sofá bom e a playlist da festa. Tecnicamente, dá para seguir. Emocionalmente, todo mundo percebe.
Eu olhei para minhas unhas recém-feitas, bati os dedos de leve na mesa como se fosse ensaio de percussão e pensei que Galvão entendeu tudo. Narrador grande não leva só voz para outra emissora. Leva bordão, memória, ritual e, se bobear, leva Salvador inteira no pré-jogo. A Copa nem começou, mas o SBT já ganhou um tambor. E tambor, meu amor, quando entra em campo, ninguém finge que não ouviu.