Amores estava numa trattoria em Ostuni, esperando uma burrata que demora o suficiente para você checar o telefone três vezes, quando chegou a mensagem de uma fonte da produção do BBB me contando o que estava acontecendo nos bastidores. Parei de comer. Isso, vindode mim, é suficiente para você entender a gravidade do que vou contar.
Quando a equipe de Ana Paula publicou a nota confirmando a morte de Gerardo Henrique Machado Renault, aos 96 anos, na noite deste domingo, o comunicado trazia junto o pedido que ele fizera em vida: que a filha não fosse avisada enquanto estivesse confinada. A família acatou. A nota saiu. E então a Globo chamou Ana Paula ao confessionário. O que aconteceu entre esses dois momentos é o ponto que a maioria das coberturas passou por cima.



O contrato do BBB 26 inclui um formulário detalhado preenchido por cada participante antes do início do confinamento. Nesse documento, entre outras questões, cada brother registra de quais situações externas quer ou não ser informado durante o isolamento, incluindo acidentes, doenças graves e óbito de familiares. Ana Paula assinalou que queria ser avisada. Essa assinatura criou o impasse direto: de um lado, o desejo expresso em vida pelo pai. Do outro, a vontade legal registrada pela própria participante. E, segundo fontes, o contrato da emissora tem cláusula que a obriga a comunicar os participantes sobre mortes de familiares, tornando o pedido de Gerardo juridicamente impossível de ser cumprido pela Globo.
A emissora seguiu o documento e comunicou Ana Paula no confessionário, com apoio psicológico imediato. Tadeu Schmidt confirmou ao vivo. Ao sair, ela foi direto ao Quarto Sonho da Eternidade, encontrou Juliano Floss e disse, aos prantos: “Meu pai morreu. Não está fazendo sentido para mim mais.” A irmã Gisele havia gravado um vídeo exibido no confessionário, com a mensagem de que tudo que o pai queria era que Ana chegasse até o fim. Ana Paula ouviu, ficou no programa e vai disputar o prêmio de R$ 5,44 milhões na final desta terça-feira.
Gerardo Renault tinha 96 anos, havia sido internado no Hospital Felício Rocho em 3 de abril, e mesmo de dentro do hospital acompanhava a filha pelo televisor. Morreu a dois dias da final que tanto queria ver ela vencer.
O Brasil inteiro tomou conhecimento do luto antes dela, e havia algo de muito difícil nesse intervalo, no silêncio que durou horas entre a nota da família e o confessionário. No fim, foi uma assinatura dela mesma, feita meses atrás, que decidiu tudo.