Estava de olho na agenda de Brasília nesta semana quando um debate realizado na Casa ParlaMento chamou atenção de quem acompanha saúde pública, inovação e políticas públicas. O evento Diálogos Esfera, promovido pela Esfera Brasil, reuniu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, para discutir os desafios das doenças raras no Brasil.
O encontro teve como foco temas como acesso a medicamentos, incorporação tecnológica, sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecimento da capacidade nacional de produção farmacêutica.
Durante o debate, Gilmar Mendes defendeu a ampliação da articulação entre governo, universidades, centros de pesquisa e indústria farmacêutica para reduzir a dependência externa na produção de medicamentos estratégicos.
Segundo o ministro do STF, o Brasil precisa avançar na construção de uma política capaz de fortalecer a produção nacional de medicamentos, especialmente aqueles voltados para doenças raras e tratamentos de alta complexidade.
Na mesma linha, Bruno Dantas destacou que a dependência de insumos e tecnologias estrangeiras continua sendo uma vulnerabilidade para o país. Para o ministro do TCU, a pandemia de Covid-19 evidenciou a fragilidade das cadeias globais de fornecimento e reforçou a necessidade de o Brasil ampliar sua autonomia na área da saúde.
Já Adriano Massuda, representante do Ministério da Saúde, afirmou que o SUS enfrenta dois desafios simultâneos: garantir sustentabilidade financeira e fortalecer sua capacidade de resposta diante das transformações tecnológicas do setor.
Segundo ele, o avanço da medicina exige mecanismos que permitam incorporar novas terapias sem comprometer o equilíbrio do sistema público de saúde.
O setor privado também participou das discussões. A CEO da Roche Farma Brasil, Lorice Scalise, apresentou a visão da indústria farmacêutica sobre os desafios do acesso a tratamentos para doenças raras.
Ela destacou que o modelo tradicional de negócios baseado em escala e volume muitas vezes não se aplica a esse segmento, já que muitos medicamentos são desenvolvidos para um número reduzido de pacientes.
Nesse contexto, alternativas como modelos diferenciados de negociação e mecanismos de precificação podem contribuir para acelerar o acesso dos pacientes aos tratamentos, ao mesmo tempo em que preservam a viabilidade econômica dos investimentos em inovação.
O debate realizado pelo Diálogos Esfera evidenciou um consenso entre representantes dos poderes Executivo, Judiciário, órgãos de controle e indústria farmacêutica: ampliar o acesso a medicamentos para doenças raras passa necessariamente pelo fortalecimento da capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e produção.
Mais do que uma discussão sobre medicamentos, o encontro reforçou o papel estratégico da saúde como tema central para o desenvolvimento, a inovação e a soberania do país.