Gente, hoje não tem deboche. Eu estava em casa, no Cosme Velho, quando assisti ao vídeo de Gil do Vigor falando sobre o que aconteceu com João Vitor, e parei tudo. Porque tem assunto que não pede piada. Pede nome, indignação e consequência.
Gil publicou um desabafo depois dos ataques homofóbicos sofridos por João Vitor na volta do Rock in Rio. O ator relatou ter sido humilhado, assediado e alvo de ofensas homofóbicas. O que deixou Gil ainda mais revoltado foi a justificativa atribuída a um dos envolvidos: a de que estaria “gerando entretenimento”.
E foi aí que Gil colocou o dedo exatamente onde precisava. “A forma como eu me visto não é entretenimento, o meu jeito não é entretenimento, as violências que eu sofro não são entretenimento, é crime”, afirmou. E acabou a conversa, meu amor. Violência contra uma pessoa LGBT não vira brincadeira porque alguém decidiu ligar uma câmera.
O desabafo ficou ainda mais pessoal quando Gil lembrou da própria infância. Ele contou que sofreu bullying e ataques na escola por seu jeito, pela forma de falar e por ser afeminado. “A gente sabe como isso nos marca por toda uma vida”, disse.
E essa parte me pegou. Porque quem já ouviu um insulto simplesmente por existir de um jeito que incomoda o outro sabe que a agressão pode durar segundos, mas a lembrança não obedece ao relógio. Gil também rebateu aquela velha tentativa de diminuir a homofobia chamando tudo de “mimimi” ou “exagero”.
No fim, ele prestou solidariedade a João Vitor e cobrou responsabilização. “Não é brincadeira, não é entretenimento e não tem desculpa. É crime e os responsáveis precisam ser punidos.”
E eu vou terminar exatamente onde Gil chegou: chega. Em pleno 2026, ninguém deveria precisar explicar que ser gay, afeminado, usar determinada roupa, falar de determinado jeito ou simplesmente andar pela rua não transforma uma pessoa em atração pública. O entretenimento acaba quando começa a violência.