Davi Brito reagiu nas redes sociais à medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de bets no Brasil. Garoto-propaganda de uma casa de apostas, o campeão do BBB24 afirmou que acabar com o mercado regulamentado não faria os brasileiros pararem de jogar e poderia fortalecer plataformas ilegais.
Eu cheguei ao Jardim do Príncipe Real, escolhi um banco debaixo da sombra e fiquei vendo a notícia se desenrolar. Davi apareceu indignado, com a energia de quem recebeu um boleto emocional do tamanho de um trio elétrico. E o tema, convenhamos, dá mesmo conversa: envolve dinheiro, vício, publicidade e uma indústria que tomou conta de tudo.
“Eu não estou aqui para defender a aposta irresponsável e irregular de ninguém. Quem tem problema com jogo, meu irmão, precisa se tratar, precisa de limite, precisa ter acesso a ferramentas de bloqueio e tratamento imediato”, declarou o influenciador.

Em seguida, ele questionou a eficácia da proibição. “Se você acabar com o mercado regulamentado, o brasileiro vai simplesmente parar de apostar? Vocês acham que o brasileiro vai parar de apostar?”, disse Davi. A fala repercutiu porque ele mantém relação comercial com o segmento e já divulgou plataformas de apostas para seus seguidores.
Eu abri o leque que tinha comprado mais cedo e pensei que Davi levantou uma discussão real, mas dentro de uma situação bastante confortável para ele: quem lucra com publicidade de bet dificilmente vai aplaudir o fechamento da torneira. Não é crime defender um setor, claro. Só não dá para fingir que o discurso caiu do céu sem patrocínio.

A medida provisória estabelece que os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Os usuários terão até 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente o dinheiro disponível nas contas. A proposta ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva.
A preocupação com casas ilegais também aparece no debate sobre o tema. Especialistas costumam apontar que restrições sem fiscalização podem empurrar usuários para plataformas clandestinas, mas isso não elimina a discussão sobre os danos provocados por apostas, publicidade agressiva e o endividamento de pessoas vulneráveis.
Eu fiquei olhando as árvores do jardim e cheguei àquela conclusão simples: o assunto é sério demais para virar só guerra de vídeo. Vício em jogo precisa, sim, de tratamento e prevenção. Mas a publicidade que faz aposta parecer atalho para vida de luxo também precisa entrar nessa conversa, porque ninguém perde dinheiro sozinho quando tem influencer ensinando a apertar o botão.
Davi colocou a cara no debate, defendeu o mercado regulamentado e criticou a decisão do governo. Agora, vai precisar sustentar essa posição num momento em que a relação entre famosos, plataformas e apostas está sendo examinada com lupa. E lupa, minhas filhas, aumenta até o que a pessoa jurava que era só um detalhe.