Eu estava em Petrópolis esta manhã, instalada na varanda do hotel com a serra inteira aos meus pés e uma vista tão perfeita que daria inveja em cartão-postal, quando o celular vibrou no meio do café. Era a minha fonte das antigas do mercado de mídia, daquelas que sabem de casamento corporativo antes mesmo do pedido oficial, me avisando para largar a torrada e prestar atenção, porque a Faria Lima da comunicação acabava de armar um enlace daqueles. Engoli o cafezinho de um gole e liguei o modo coluna, porque fusão na madrugada de quarta só pode dar pano para manga.
O babado é que a Mara Luquet, a sócia fundadora e dona da batuta do MyNews, anunciou que a partir da meia-noite da próxima quarta nasce a MyNews VIP FM 90,9. Em bom português de novela, o jornalismo digital independente da casa dela resolveu subir ao altar com a tradição de décadas da velha VIP FM, juntando a solidez do rádio analógico com a agilidade do digital num mesmo dial. É o tipo de matrimônio em que a noiva tem currículo e o noivo tem patrimônio, e os dois saem ganhando audiência.
A Mara está vendendo o enredo como manifesto da revolução da longevidade, prometendo botar Boomer, Gen X, Millennial e Gen Z no mesmo ecossistema, como quem monta um reality intergeracional onde ninguém é eliminado por idade. A tese da socialite é que inovação não tem data na certidão de nascimento, e olha, nesse ponto eu assino embaixo, porque conheço executivo de cabelo grisalho que dá um banho de modernidade em muito garotão de tênis colorido na Faria Lima. A jogada é unir o que ela chama de economia em rede, traduzindo, somar plateias para multiplicar relevância.
O recado para o mercado é que rádio FM, esse veterano que muita gente já deu por aposentado, voltou para a passarela de braço dado com o streaming. Enquanto o setor inteiro corre atrás de podcast e de assinatura digital, a turma do MyNews resolveu fazer o caminho inverso e abraçar a frequência analógica, apostando que tem ouvinte fiel demais para deixar a tradição morrer na praia. É uma aposta corajosa num momento em que todo mundo finge que rádio é coisa de táxi, e eu adoro quem rema contra a corrente com salto alto.
Confesso que fiquei intrigada com a coragem da empreitada, porque unir gerações sob o mesmo teto é mais difícil que sentar sogra e nora na mesma mesa de ceia. Se a Mara conseguir fazer o Boomer e o Gen Z escutarem a mesma rádio sem um acusar o outro de ultrapassado, ela merece um troféu maior que qualquer prêmio de jornalismo. Vou sintonizar na quarta de madrugada, café na mão e vista da serra ainda perfeita, só para conferir se essa união de interesses vira casamento dos sonhos ou mais uma separação litigiosa do mercado de mídia.