O acidente que matou Inaê Araújo dos Santos, conhecido como Naê e filho de Lazinho, do Olodum, ganhou novos elementos sob investigação. Além da colisão da motocicleta contra um rolo compactador na BR-324, em Salvador, a Polícia Civil apura o furto de objetos pessoais da vítima após a batida.
Eu deixei o tênis já amarrado ao lado da bolsa do pilates, perto da porta do Cosme Velho, e voltei à cozinha antes de sair. A notícia é pesada demais para qualquer comentário atravessado: um homem perdeu a vida em uma rodovia, e a família agora enfrenta não apenas o luto, mas perguntas sérias sobre o acidente e o que aconteceu depois dele.

Naê tinha 39 anos e trabalhava como motorista da Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador. Ele morreu por volta de 1h, quando a motocicleta que pilotava atingiu a máquina usada em obras de recapeamento, parada no acostamento da BR-324, nas proximidades do Acesso Norte.
O ponto que tornou a tragédia ainda mais dolorosa foi o relato de que celular e corrente de Naê teriam sido levados enquanto ele ainda estava no local. Segundo informações registradas na ocorrência, um homem ou pessoas que passavam pela rodovia teriam pegado os objetos e saído sem prestar socorro. A Polícia Civil busca identificar os envolvidos.
Eu tirei a caneca da mesa e fiquei olhando para a água que tinha sobrado. É difícil até escrever uma coisa dessas. Em uma situação de morte, a primeira reação deveria ser socorro, respeito, chamar ajuda. A suspeita de que pertences tenham sido retirados de uma vítima no chão transforma uma tragédia em uma cena de desumanidade que precisa ser esclarecida.
Também há versões diferentes sobre a sinalização da máquina. Informações iniciais apontaram que o rolo compactador poderia estar em posição inadequada e sem sinalização suficiente em uma área escura. Já o Dnit informou que a empresa responsável pela obra declarou que o equipamento estava no acostamento e contava com os dispositivos previstos.
A definição sobre as condições da via, o posicionamento da máquina e eventuais responsabilidades ainda depende da investigação. A 11ª Delegacia Territorial acompanha o caso, com apoio de outros órgãos que atuaram na ocorrência.

Eu conferi a bolsa do pilates mais uma vez e deixei tudo pronto, mas sem conseguir tirar essa história da cabeça. Lazinho tinha acabado de se apresentar com o Olodum no Rock in Rio e voltou a Salvador para reconhecer o corpo do filho no Instituto Médico Legal. Nenhum pai deveria atravessar uma dor dessas.
O Olodum divulgou uma nota de solidariedade à família, descrevendo a perda de um filho como “imensurável”. Agora, além da despedida de Naê, a família aguarda respostas sobre o acidente e sobre a suspeita de furto que a polícia tenta esclarecer.