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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Funcionário de IML usa celular de morto para Pix e acaba preso por peculato

Eu estava organizando o almoço no Cosme Velho quando soube que um atendente de IML é acusado de usar o celular de um morto para transferir R$ 7 mil para si, e até a panela parou de ferver com esse nível de cara de pau institucional.

Kátia Flávia

10/06/2026 12h06

Caso envolvendo um funcionário do IML acusado de usar o celular de um morto para fazer um Pix chocou moradores da Baixada Santista

Caso envolvendo um funcionário do IML acusado de usar o celular de um morto para fazer um Pix chocou moradores da Baixada Santista

Eu estava na cozinha, discutindo com minhas amigas se o arroz ia ser branco ou biro biro, a governanta passando com a travessa de salada, quando alguém largou no grupo o vídeo da reportagem do caso no litoral de São Paulo. Dei play achando que era golpe de Pix comum e quase derrubei o sal ao ouvir que o funcionário de um IML teria usado o celular de um homem morto para transferir sete mil reais para a própria conta. O corpo tinha acabado de chegar ao instituto, a família em choque do lado de fora, e lá dentro alguém decidiu que o aplicativo bancário do falecido era oportunidade de renda extra.

O que se apurou é que a família desse homem, desconfiada, foi olhar o extrato bancário e encontrou a transferência esquisita, feita no mesmo dia da morte, poucas horas depois de o corpo entrar no IML. Não era débito automático, não era cobrança atrasada, era Pix direto para o servidor que estava ali, teoricamente, para zelar pelo procedimento técnico e pelo respeito mínimo aquele corpo. Com a movimentação no radar, veio a investigação, o atendente acabou preso preventivamente e responde por peculato, aquele crime que acontece quando o servidor usa o cargo para se apropriar ou desviar dinheiro ou bens que deveriam estar sob a guarda do Estado.

Nos bastidores, o que se comenta é que o caso explodiu na Baixada Santista porque atinge um lugar sensível, ninguém espera glamour em necrotério, mas espera respeito, e a ideia de alguém mexer no celular de quem acabou de morrer para mandar Pix para si mistura violação com crueldade. A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil toca o inquérito, com acompanhamento da Corregedoria, justamente para descobrir se o servidor agiu sozinho e como conseguiu acesso à conta, já que, em muitos bancos, isso exige senha, biometria ou reconhecimento facial. Bastaram as primeiras informações saírem para o negócio virar assunto de grupo de família e rodinha de bar.

Na camada digital, o caso virou indignação instantânea, gente dizendo que “nem morto tem paz”, comentário cobrando fiscalização mais rígida em órgãos como IML, perfil de notícia explicando o que é peculato e como denunciar movimentação bancária suspeita em nome de parente falecido. O tom é de revolta, porque a sensação é que o golpe atravessou uma fronteira moral, não é ladrão de esquina, é servidor usando um ambiente que deveria ser técnico para avançar em patrimônio de família enlutada. E enquanto o processo corre, eu termino meu almoço olhando para o celular e pensando que, se até no IML estão usando telefone de morto para golpe, vigiar extrato depois do enterro vira parte triste do roteiro de luto nesse país.

Caso envolvendo um funcionário do IML acusado de usar o celular de um morto para fazer um Pix chocou moradores da Baixada Santista.

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