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Kátia Flávia
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Flávio Bolsonaro acusa PT e ‘gente da CNBB’ de espalhar fake news sobre Nossa Senhora

Candidato diz que grupo ajudou a disseminar informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida; CNBB nega envolvimento e cobra provas.

Kátia Flávia

28/09/2026 11h30

Flávio Bolsonaro acusou o PT e “gente de dentro da CNBB” de participação na disseminação de informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.

Flávio Bolsonaro acusou o PT e “gente de dentro da CNBB” de participação na disseminação de informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.

Eu estava saindo do almoço ao lado do Museu do Fado, em Lisboa, quando o celular apitou com uma história que mistura eleição, Igreja Católica, STF e Nossa Senhora Aparecida. Parei para ler direito porque, quando a santa vira personagem de campanha presidencial, minha filha, é melhor separar fato, acusação e versão antes de abrir a boca.

Flávio Bolsonaro (PL) acusou o PT e “gente de dentro da CNBB” de terem ajudado a disseminar a informação falsa de que existiria uma tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração foi feita no domingo (27), durante agenda de campanha em Goiânia. A CNBB negou participação na produção ou divulgação de informações falsas e afirmou que acusações dessa natureza, sem fatos e provas, atingem injustamente a instituição.

Flávio foi além. Falou em uma suposta “Liga da Mentira do PT”, disse que haveria uma rede de perfis falsos e afirmou que sua equipe já teria identificado os envolvidos e pretende buscar responsabilização na Justiça Eleitoral e também indenizações na esfera cível. Aqui eu tiro o salto e piso devagar: são acusações de Flávio Bolsonaro. Até agora, não foram apresentadas publicamente provas que sustentem a participação da CNBB nessa suposta estrutura.

A confusão ganhou mais um capítulo com Flávio Dino. No domingo, o ministro do STF derrubou uma decisão de André Mendonça, do TSE, e determinou o restabelecimento de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, além de outras postagens retiradas pelo mesmo fundamento. Dino argumentou que não havia, naquele momento processual, certeza de ilicitude suficiente para justificar restrições tão severas à liberdade de expressão. A decisão anterior previa multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

E atenção para não misturar duas coisas: Dino analisou juridicamente a remoção das publicações; isso não significa que o STF tenha reconhecido como verdadeira a história de que Flávio pretende retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A própria decisão registra que Flávio sustenta ser falsa a informação que motivou a controvérsia.

A história ganhou força depois que circulou a informação de que haveria uma mobilização atual para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A GloboNews, que chegou a tratar do assunto, posteriormente corrigiu a informação e explicou que a proposta mencionada havia sido apresentada na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivada em 2008.

A CNBB respondeu ainda no domingo. Disse que não produziu, autorizou nem participou da divulgação de informações falsas no processo eleitoral, rejeitou vínculo com estruturas partidárias e fechou sua nota com uma frase curta: “A mentira não se combate com outra mentira.”

Agora vou dar minha passadinha no Museu do Fado antes de voltar para o hotel. Porque até aqui em Lisboa dá para ouvir o barulho dessa briga em Brasília. Mas, no meio de tanta acusação, uma coisa continua básica: quem diz que existe uma rede organizada envolvendo gente da CNBB terá de apresentar as provas. Até lá, acusação continua sendo acusação.

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