Gabriela Duarte movimentou as redes ao publicar uma reflexão que foi interpretada como defesa de Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral e as medidas judiciais envolvendo o ex-candidato. “Como é mesmo o nome do regime que persegue e prende seus opositores?”, questionou a atriz nos Stories.
Eu já tinha trocado de roupa e pegado minha ecobag para sair quando parei diante dessa frase. Porque, minha gente, chamar de “regime” uma situação política sem citar quem, qual decisão ou qual processo é lançar a indireta e deixar o povo montar o quebra-cabeça.

Gabriela não mencionou Flávio pelo nome, mas a postagem surgiu em meio à repercussão da viagem dele aos Estados Unidos e da ordem para entregar os passaportes. A associação foi imediata, até porque o assunto dominou a conversa política do dia.
A atriz também compartilhou uma frase atribuída a Barack Obama: “Na política e na vida, ignorância não é uma virtude”. Eu, com a bolsa no ombro e pronta para descer, fiquei pensando que a postagem veio com pacote completo: pergunta provocadora, frase de efeito e zero nome citado. O famoso recado que diz muito sem assumir tudo.
A manifestação chama atenção porque Gabriela já afirmou publicamente que tem diferenças políticas em relação à mãe, Regina Duarte. Em entrevista, ela disse que Regina se posiciona de uma forma que não corresponde à dela.
Mas a história, minhas filhas, mostra que política em família é uma panela de pressão: uma hora alguém tira a tampa. E, desta vez, Gabriela foi para os Stories justamente quando a família Bolsonaro voltou ao centro do noticiário.
Não há indicação de que a atriz tenha comentado diretamente uma decisão específica ou apresentado elementos para sustentar a comparação com um regime que persegue opositores. O post, porém, bastou para dividir opiniões e alimentar a leitura de que ela saiu da posição mais reservada.

Eu fechei a porta de casa pensando que, na era do Story de 24 horas, uma pergunta solta pode render uma semana de discussão. Gabriela não escreveu o nome de Flávio, mas deixou a política inteira tentando preencher a lacuna.