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Kátia Flávia
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“Ficou com inveja”: farmadora de aura parte para cima de Ary Fontoura após crítica campeonato

Organizadora de campeonatos de “farmar aura” rebateu Ary Fontoura após crítica à febre entre jovens, chamou o ator de “Betinha” e disse que ele reclamou porque não foi convidado

Kátia Flávia

11/08/2026 9h00

Ary Fontoura criticou a moda nas redes e disse esperar que “isso passe logo”

Ary Fontoura criticou a moda nas redes e disse esperar que “isso passe logo”

A treta geracional agora tem nome, sobrenome e pontuação de internet. Harukinho, organizadora e jurada de campeonatos de “farmar aura”, rebateu Ary Fontoura depois que o ator criticou os eventos e disse esperar que a moda “passe logo”.

Eu já tinha voltado do treino mentalmente umas três vezes antes mesmo de sair de casa, ainda procurando uma garrafa de água decente para levar à academia, quando esse confronto caiu no meu colo. De um lado, Ary Fontoura, patrimônio nacional da dramaturgia e do vídeo de bom dia. Do outro, a geração que transforma postura, passinho e confiança em campeonato. Era óbvio que ia dar curto-circuito.

Durante participação no programa “O Povo Quer Saber”, de Chico Barney, no Canal UOL, Harukinho não economizou no deboche ao comentar a crítica do ator. “Pra mim, ele é um Betinha. Apenas um Betinha moggado. Ficou com inveja do pessoal, não participou, ninguém convidou ele”, disparou.

Pronto. Foi aberta oficialmente a CPI da aura. Eu não sei se Ary entendeu o que é “moggado”, se precisou perguntar para alguém ou se simplesmente fechou o aplicativo e foi cuidar das plantas, mas a resposta veio naquele dialeto maravilhoso em que a internet parece sempre estar brigando dentro de um videogame.

A expressão “farmar aura” mistura o vocabulário dos games com a lógica das redes sociais. “Farmar” é acumular pontos, recursos ou vantagens. “Aura”, nesse caso, é carisma, presença, estilo, aquela confiança que faz alguém entrar em um lugar e parecer personagem principal de si mesmo. Nos campeonatos, jovens disputam essa tal aura com gestos, dança, pose e performance.

Uvitinho, também organizador dos eventos, disse que muita gente critica depois de assistir apenas “15 segundos” de vídeo, sem entender o contexto inteiro. Segundo ele, os encontros têm ajudado participantes tímidos a se soltarem e até a criarem conteúdo próprio.

Harukinho também rebateu boatos de que haveria dinheiro público bancando a brincadeira em São Mateus, na zona leste de São Paulo. Segundo ela, o apoio teria sido ligado a estrutura e segurança, como banheiro, limpeza e base policial, enquanto o campeonato teria sido gratuito, com custos bancados por patrocinadores e pelos próprios envolvidos.

Eu amo que até a aura já tem prestação de contas. Daqui a pouco vai ter ata, comissão julgadora, pedido de impugnação e participante dizendo que perdeu ponto porque repetiu passinho. Aliás, isso já existe: Harukinho explicou que os jurados avaliam presença de palco, envolvimento com o público e originalidade. Repetiu demais, perdeu aura.

No fim, a polêmica virou exatamente aquilo que a internet mais gosta: choque de gerações com vocabulário indecifrável. Ary achou estranho. Harukinho achou recalque. E eu, de top vinho e corta-vento cinza, só consigo pensar que talvez o Brasil tenha finalmente encontrado sua modalidade olímpica mais sincera: gente competindo para parecer mais confiante do que realmente está.

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