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Kátia Flávia
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Fhabi Hanna fala sobre suas origens, orgulho e preconceito

Cantora, apresentadora e influenciadora relembra episódios de discriminação e destaca a importância de preservar suas raízes e os valores familiares

Kátia Flávia

30/10/2026 19h30

Fhabi Hanna fala sobre o orgulho de suas origens nordestinas e os valores transmitidos por sua família.

Fhabi Hanna fala sobre o orgulho de suas origens nordestinas e os valores transmitidos por sua família.

As origens de uma pessoa carregam histórias, sacrifícios e valores que nem sempre são reconhecidos por quem observa apenas suas conquistas. Para Fhabi Hanna, cantora, apresentadora e influenciadora, olhar para o passado é também uma forma de reconhecer os esforçods da família e compreender como as experiências vividas ao longo dos anos contribuíram para sua identidade. Ao refletir sobre sua trajetória, a artista fala sobre o orgulho das raízes nordestinas, os desafios enfrentados diante do preconceito e a importância de não abrir mão dos próprios princípios para conquistar aceitação social.

Nascida em São Paulo, Fhabi viveu dez anos em Pernambuco e cresceu em uma família de origem nordestina. A artista conta que a dedicação dos pais, especialmente diante das dificuldades financeiras, foi fundamental para sua formação pessoal. Hoje, reconhece que muitos dos valores que carrega foram construídos a partir dos exemplos recebidos durante a infância.

“Venho de uma família nordestina, humilde, batalhadora e correta. Nasci em São Paulo, mas morei dez anos em Pernambuco, e carrego comigo muito dessa história, dos valores que recebi e dos sacrifícios que meus pais fizeram para que eu e meus irmãos pudéssemos ter uma vida melhor.”

Entre as lembranças mais marcantes está a rotina intensa de trabalho do pai, que frequentemente precisava abrir mão de momentos com a família para garantir melhores condições de vida aos filhos. Com o amadurecimento, a apresentadora passou a compreender essas ausências sob uma nova perspectiva.

“Meu pai trabalhava muito. Às vezes, passávamos dias sem vê-lo, porque ele estava se dedicando ao trabalho e ao nosso futuro. Hoje, com a maturidade, consigo compreender ainda mais o tamanho desse esforço e o amor que existia por trás de tantas ausências.”

Para Fhabi, reconhecer a própria história também significa valorizar o caminho percorrido pelas gerações anteriores. Ela acredita que, muitas vezes, as pessoas se concentram nas conquistas individuais e deixam de reconhecer os esforços familiares que tornaram essas realizações possíveis.

O preconceito e os julgamentos ao longo da vida

Apesar do orgulho que sente de suas raízes, Fhabi Hanna revela que nem sempre encontrou respeito em todos os ambientes que frequentou. Ao longo da vida, afirma ter enfrentado situações de preconceito relacionadas à origem nordestina, ao sotaque, à maneira como se vestia e à condição financeira da família.

Segundo a artista, esses episódios foram dolorosos, especialmente por demonstrarem como características pessoais e sociais ainda podem ser utilizadas para estabelecer julgamentos sobre alguém antes mesmo de sua história ser conhecida.

“Sim, e vivi situações que me marcaram profundamente. Já sofri preconceito por ser nordestina, pelo meu sotaque, pela maneira como me vestia e pela minha origem humilde. Também já fui julgada por ser loira, o que me fez perceber como as pessoas podem criar histórias sobre alguém a partir de características superficiais, sem sequer conhecer sua realidade.”

A cantora também relembra ocasiões em que presenciou comentários depreciativos sobre nordestinos durante encontros sociais. Em uma dessas situações, ao questionar as piadas feitas à mesa, acabou sendo criticada por se posicionar contra o comportamento.

“Também já estive à mesa com pessoas que faziam piadas e riam das origens nordestinas. Quando me manifestei e questionei por que aquilo era motivo de riso, fui duramente criticada. Ou seja, além de lidar com o preconceito, ainda precisei enfrentar a reprovação por não aceitar que ele fosse tratado como algo normal.”

Além das situações relacionadas à origem regional, Fhabi conta que também enfrentou julgamentos por sua condição social, inclusive em relações pessoais. Em um dos episódios, afirma que familiares de uma pessoa com quem se relacionava chegaram a investigar sua vida por desconfiarem de suas intenções, associando sua origem humilde a estereótipos ofensivos.

“Uma das experiências que mais me marcou aconteceu quando eu namorava uma pessoa cuja família, pelas minhas costas, foi investigar se eu não era uma aproveitadora ou uma prostituta, simplesmente porque eu vinha de uma família humilde. É muito doloroso perceber que alguém pode olhar para você e, em vez de querer conhecer sua história, presumir o pior por causa da sua condição social.”

Embora reconheça o impacto emocional dessas experiências, a artista afirma que nenhuma delas foi capaz de diminuir o respeito que sente por sua história familiar. Pelo contrário, os episódios contribuíram para fortalecer sua percepção de que a origem de alguém jamais deveria ser motivo de humilhação.

Dinheiro, sobrenome e aceitação social

As experiências vividas também levaram Fhabi Hanna a refletir sobre a influência que o dinheiro, o sobrenome e a posição econômica ainda exercem nas relações sociais. Para ela, existe uma tendência de associar prestígio financeiro ao valor pessoal, fazendo com que indivíduos de origem humilde sintam necessidade de provar constantemente que merecem ocupar determinados espaços.

“Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, confunde valor pessoal com dinheiro, sobrenome e posição social. Já senti na pele como a origem humilde pode fazer com que alguém seja visto com desconfiança, como se precisasse provar que merece estar em determinados ambientes.”

A apresentadora acredita que a condição financeira pode abrir portas e proporcionar oportunidades, mas não deve determinar o respeito que uma pessoa recebe. Em sua avaliação, caráter, educação e dignidade são valores que não dependem da posição social.

“Para mim, dinheiro pode proporcionar conforto e oportunidades, mas não compra caráter, educação ou dignidade. Ter uma condição financeira melhor não torna ninguém superior, assim como ter menos recursos não torna ninguém inferior.”

Para a artista, reconhecer os esforços dos pais e preservar os valores recebidos durante a infância é uma maneira de não permitir que os julgamentos externos determinem sua identidade.

A importância de preservar a própria identidade

Ao longo dos anos, Fhabi também precisou aprender a lidar com as expectativas de outras pessoas. A cantora admite que, em determinados momentos, sentiu necessidade de demonstrar suas qualidades e provar que não correspondia à imagem criada por quem a julgava.

Com o amadurecimento, entretanto, passou a compreender que tentar agradar a todos poderia significar abrir mão de características importantes de sua personalidade.

“Mas a vida também me ensinou que existe um preço muito alto em tentar agradar a todos: o risco de deixar de ser quem você é.”

A artista conta que essa mudança de postura também teve consequências em suas relações pessoais. Algumas amizades e relacionamentos chegaram ao fim quando decidiu manter seus princípios e se posicionar diante de atitudes que considerava injustas.

“Perdi amizades e relações por manter meus princípios e por não aceitar determinadas atitudes. Nem sempre foi fácil, porque ninguém gosta de ser rejeitado, especialmente quando existe afeto envolvido. Já me senti profundamente magoada por ser excluída ou criticada simplesmente por questionar algo que considerava injusto.”

Apesar das dificuldades, Fhabi Hanna considera que essas experiências contribuíram para seu amadurecimento e para a compreensão de que o respeito próprio deve estar acima da necessidade de aceitação.

“Com o tempo, entendi que nem todo lugar que nos recebe merece a nossa permanência e que nem toda relação precisa ser mantida a qualquer custo. Não quero dizer que nunca me importei com a opinião dos outros, porque me importei, sim. Sou humana e também sinto dor. Mas aprendi que ser aceita não pode custar a minha dignidade.”

Hoje, a apresentadora afirma que prefere preservar sua identidade a modificar seu comportamento para corresponder às expectativas de determinados ambientes.

“Hoje, prefiro perder uma relação a precisar renunciar aos meus valores para mantê-la. Isso não significa acreditar que estou sempre certa, mas ter a tranquilidade de reconhecer meus erros sem permitir que outras pessoas determinem quem devo ser. A maturidade me ensinou que não preciso provar o meu valor o tempo todo. Preciso, antes de tudo, não esquecer dele.”

O orgulho das raízes e dos valores familiares

Ao refletir sobre sua trajetória, Fhabi Hanna destaca que uma das maiores riquezas que carrega não está relacionada a conquistas materiais, mas aos valores transmitidos pela família. A artista acredita que os sacrifícios feitos pelos pais representam uma parte fundamental de sua história e merecem ser reconhecidos.

“Tenho muito orgulho da minha família porque sei o quanto meus pais trabalharam e se sacrificaram para nos proporcionar um futuro melhor. Nunca precisei ter vergonha disso. Pelo contrário, considero essa história uma das minhas maiores riquezas.”

Para a cantora, ter raízes nordestinas e vir de uma família humilde não representa uma limitação, mas uma história de dedicação, aprendizado e oportunidades construídas ao longo de gerações.

Ela também acredita que o preconceito pode fazer com que algumas pessoas sintam necessidade de esconder suas origens para serem aceitas em determinados círculos sociais. Por isso, considera importante reforçar que ninguém deveria precisar negar a própria identidade para conquistar respeito.

“Gostaria que as pessoas entendessem que ser nordestino, vir de uma família humilde, ter um sotaque diferente ou não pertencer a determinado círculo social não faz ninguém menor. Cada pessoa carrega uma história que merece ser conhecida antes de ser julgada.”

A artista espera que sua experiência contribua para uma reflexão sobre a importância de conhecer a trajetória das pessoas antes de julgá-las, além de incentivar quem enfrenta situações semelhantes a reconhecer o valor da própria história.

Para Fhabi Hanna, amadurecer também significou compreender que é possível conquistar novos espaços, construir uma trajetória diferente daquela vivida pelos pais e realizar sonhos sem perder a conexão com as próprias raízes.

“Podemos mudar de vida, conquistar novos espaços e realizar sonhos que nossos pais nem sequer tiveram a oportunidade de sonhar. Mas não precisamos negar nossas raízes para chegar aonde queremos.”

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