Felca passou a ser pressionado por seguidores a se posicionar publicamente no segundo turno das eleições presidenciais. Comentários deixados em sua última publicação no Instagram, feita em 22 de março, pedem que o influenciador faça um vídeo sobre a disputa e declare apoio a Lula.
Eu tinha acabado de encontrar minhas amigas na esplanada do Santuário de Fátima quando abri os comentários e parei no meio da caminhada. Porque o homem ficou meses sem publicar no Instagram, mas a eleição chegou batendo na porta digital dele com megafone, faixas e cobrança de posicionamento.

“Você irá se calar diante da ameaça do fascismo?”, escreveu um internauta. Outros pediram que Felca “ressuscite” nas redes, use sua força e faça um alerta sobre o que, na visão deles, pode acontecer se a direita vencer a Presidência.
Eu segurei o celular enquanto uma das minhas amigas apontava a Basílica e pensei: o público aprendeu que Felca sabe usar vídeo para transformar uma discussão de internet em debate nacional. Só que uma coisa é cobrar; outra é imaginar que qualquer criador tem obrigação de virar cabo eleitoral sob convocação nos comentários.
Felca, nome artístico de Felipe Bressanim, ganhou projeção nacional depois de publicar um vídeo sobre adultização infantil e a exposição de crianças nas redes sociais. O conteúdo acumulou milhões de visualizações, chegou ao Congresso e ampliou o debate sobre responsabilidade de plataformas, criadores e responsáveis.
Eu segui com as meninas rumo à Capelinha das Aparições, mas a pauta ficou na minha cabeça. O vídeo de Felca ajudou a impulsionar a discussão que resultou na Lei nº 15.211, conhecida como “Lei Felca” ou Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, com regras para proteção de menores no ambiente online.
Depois da repercussão, ele participou de reportagens no “Jornal Nacional”, foi entrevistado pelo “Fantástico” e passou a integrar o elenco da Globo, com um quadro sobre saúde mental e redes sociais. Nas publicações, alguns usuários passaram a especular que o vínculo com a emissora explicaria o silêncio eleitoral, mas não há declaração de Felca ou da Globo que confirme essa relação.

Eu parei diante da Capelinha e deixo a situação como ela é: Felca tem uma voz enorme, e o público quer ouvi-la agora. Mas, até aqui, o que existe é cobrança de seguidores e um silêncio que cada lado já está tentando preencher com sua própria versão.