Estava eu aqui em Lecce, folheando o cardápio de um restaurante na Piazza Sant’Oronzo, quando Lucas Souza me mandou o release com a notícia que o cinema brasileiro merecia ouvir hoje. “Feito Pipa”, de Allan Deberton, ganhou mais um prêmio internacional, e desta vez foi o jovem Yuri Gomes levando o troféu de Melhor Interpretação na mostra Cine en los Barrios do Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, o FICCI, na sua 65ª edição. Primeiro prêmio da carreira do menino, e olha que estreia.
O filme acompanha Gugu, um garoto de quase 12 anos que sonha em ser jogador de futebol, vive com a avó no interior do Ceará e faz de tudo para não precisar ir morar com o pai, com quem a relação é difícil. Yuri Gomes é Gugu, Teca Pereira é a avó Dilma, e Lázaro Ramos, que também assina a produção associada, interpreta o pai Batista. A história é simples e poderosa, e o mundo já está percebendo isso.



Antes de Cartagena, onde abriu o festival e depois competiu na mostra de bairros, “Feito Pipa” tinha passado pela Berlinale 2026 com dois prêmios na bagagem: o Urso de Cristal de Melhor Filme pelo Júri Jovem e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus. A próxima parada é o Festival de Cinema de Guadalajara, no México, onde o filme concorre ao Prêmio Maguey.
Allan Deberton não é nome novo nessa conversa. Foi ele quem dirigiu “Pacarrete”, que varreu Gramado com oito Kikitos e foi parar na Netflix. Agora com coprodução da Warner Bros. e patrocínio do Nubank, “Feito Pipa” chega ao circuito internacional com estrutura e com história para sustentar a viagem.