Um vídeo obtido pelo g1 mostra uma suposta briga entre os sócios de uma fazenda vendida ao cantor Alexandre Pires por R$ 25 milhões. A Justiça acionou o Ministério Público do Tocantins para apurar possíveis crimes após a escalada do conflito envolvendo a propriedade em Dianópolis.
Eu entrei no elevador com a bolsa da academia no ombro, a garrafinha térmica numa mão e o celular na outra. Quando a porta fechou, apareceu na tela uma fazenda de R$ 25 milhões com portão atingido por caminhonete, cerca atravessada e sócio brigando por dinheiro. Meu amor, isso não é agronegócio, é uma novela rural que já chegou no capítulo da invasão antes da primeira chamada.

Os envolvidos são Renato Junio Pinto Guimarães, Gabriel Alves de Freitas e Matheus Alves de Freitas. A propriedade foi negociada por Gabriel e Matheus, mas Renato entrou na Justiça alegando que foi excluído da venda e que não recebeu a parte que lhe caberia.
Segundo a ação, Renato pede a anulação de um terço do negócio, sustentando que tinha direito a essa fração da Fazenda Buriti e que Alexandre Pires teria comprado o lote sem o consentimento dele. Renato também afirma que chegou a apresentar o Lote 8 da propriedade ao cantor antes da venda ser fechada.
O elevador descia e eu pensava: quando três homens administram fazenda, têm sociedade desde 2019 e o acordo acaba precisando de juiz, promotor, laudo e vídeo de portão, é porque a reunião de alinhamento passou muito longe da pauta. Deve ter começado com “vamos conversar” e terminado com caminhonete, minhas filhas.
Em decisão de junho, o juiz Rodrigo da Silva Perez Araújo entendeu que os documentos apresentados por Renato indicavam que ele não seria apenas funcionário das propriedades, mas alguém com relação de parceria comercial na exploração das terras. O grupo também estaria ligado à gestão de outras fazendas da região, segundo os autos.
Depois, Renato apresentou vídeo, fotos e boletim de ocorrência. As imagens mostram uma caminhonete se aproximando da fazenda e atingindo o portão; dois homens saem do veículo, atravessam uma cerca e entram na propriedade. Ele também alegou que maquinários foram retirados e que 11 animais foram soltos em direção a uma rodovia.

Gabriel e Matheus alegam que os equipamentos citados (como trator, pulverizador e motosserras) foram comprados somente por eles. A Justiça determinou a catalogação e a avaliação de máquinas, bens e gado para preservar o patrimônio da suposta sociedade. Uma audiência de conciliação realizada em 27 de agosto terminou sem acordo.
Quando o elevador abriu na garagem, eu já estava pronta para a academia, mas com uma certeza: Alexandre Pires comprou terra e acabou entrando num enredo de liminar, sociedade de fato e disputa por milhões.