O domingo ia lento no Cosme Velho: eu estava na varanda com um copo de água de coco, olhando o Cristo lá no alto, pensando absolutamente nos meus dias na Itália ( quero voltar!) , até que o grupo de WhatsApp do entretenimento começou a vibrar numa frequência de emergência. Fãs de Luan Santana, acampados no Parque Olímpico, assaltados à faca na madrugada de sábado. Fui apurar.
O relato chegou ao portal LeoDias: na madrugada de sábado (24/4), os admiradores do cantor que dormiam em barracas na Zona Oeste do Rio foram abordados por criminosos armados com faca, que levaram pertences de todos e foram embora. Ninguém ficou ferido. Os fãs estavam no local desde o dia 9 de abril aguardando o show da turnê “Registro Histórico”, marcado para 16 de maio.
Os fã-clubes envolvidos contaram que acionaram as autoridades após o ocorrido. A versão das polícias, porém, não bate: a PM informou ao portal LeoDias que não foi chamada para o caso, e a Polícia Civil disse não ter encontrado boletim com essas características na delegacia da área. Há um buraco grande nessa história, e ninguém ainda explicou direito onde ele fica.
O detalhe que resume tudo é este: mesmo abalados e com medo declarado de seguir no local, os fãs afirmaram que não têm intenção de abandonar suas posições na fila. Mais de duas semanas de barraca, um assalto à mão armada na madrugada, e a resposta é “a gente fica”. Pode chamar de loucura, pode chamar de amor, os dois estão certos ao mesmo tempo.
Fã de artista grande no Brasil é categoria à parte da humanidade. A base do Luan atravessa noite fria, fila quilométrica, faca na cara, e continua firme. O que me pergunto, bem baixinho entre o Corcovado e o vento do domingo, é quantos shows mais precisam acontecer para que uma produção de turnê coloque segurança ao lado de quem dorme ao relento por amor ao artista.