Eu estava aqui em Bari tomando um caffè quando minha fonte me mandou esse caso e tive que reler três vezes porque achei que era roteiro de série. Thaís Pereira, influencer paulistana, foi vítima de arrastão na Parada Inglesa, perdeu o celular pela janela do carro de aplicativo, chegou em casa com o susto ainda no corpo e encontrou mensagem nos ocultos do Instagram. Era o assaltante. Querendo conversa.
O roubo aconteceu por volta das seis, sete da tarde, plena luz do dia, na zona leste de São Paulo. Thaís tirou o celular por um segundo para mandar foto avisando que estava atrasada, e em questão de segundos um cabo de vidro veio pela janela, uma mão puxou o aparelho e o corpo dela foi junto, parcialmente para fora do carro. Ela viu o assaltante nitidamente. Calcula que ele tinha uns treze, quatorze anos.
Os meninos entraram em todos os aplicativos do celular roubado, gravaram vídeo abrindo WhatsApp, Instagram, fotos, e mandaram tudo para a própria Thaís pelo Instagram dela, debochando em tempo real. Um deles ainda mandou cantada. A influencer estava voltando de campanha fotográfica, então tinha imagens profissionais no aparelho, o que aumentou o medo de exposição. Ela bloqueou um por um, mas os perfis continuam aparecendo nos comentários até hoje, mais de cinquenta contas de meninos que chegam para tirar onda e se gabar do crime ali, na frente de todo mundo.
O que assusta além do roubo em si é a ausência total de medo por parte deles. Thaís disse à imprensa que os perfis mostravam outros assaltos, as mãos machucadas exibidas como troféu, e que os meninos comentam abertamente porque sabem que a menoridade funciona como escudo. A polícia tem os registros, Thaís salvou tudo nos bloqueados, e o caso virou debate sobre o que acontece quando adolescentes em situação de vulnerabilidade descobrem que o crime rende engajamento antes de render consequência.
Eu, que já vi muita coisa nessa vida de colunista percorrendo a Europa, nunca tinha visto assaltante mandar cantada para a vítima pelo próprio celular roubado. Tem uma audácia aí que é quase incompreensível. Thaís fez bem em vir a público, porque o silêncio nesse caso só serviria para eles gravarem o próximo vídeo com ainda mais confiança. Guarda o número dos bloqueados, minha filha, porque isso vai virar prova em algum momento.