Eu estava terminando de ler uma pauta quando bati o olho no nome de Fabiana Justus.
Fabiana passou por um diagnóstico de leucemia mieloide aguda, fez transplante de medula óssea e hoje está em remissão. Agora, a experiência dela vai sair do relato pessoal para uma discussão sobre o tratamento de quem depende do SUS.

No próximo dia 29, Fabiana participa do painel “LMA Sem Espera: Caminhos para Avançar o Cuidado no SUS”, durante o 13º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, em São Paulo. A discussão será sobre diagnóstico, novas alternativas de tratamento e, principalmente, acesso. Porque descobrir que existe tratamento é uma coisa. Conseguir chegar a ele no tempo necessário é outra.
Fabiana recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda em janeiro de 2024. Durante o tratamento, compartilhou publicamente etapas como quimioterapia e o transplante de medula óssea, realizado em março daquele ano. Segundo o material divulgado para o congresso, ela está atualmente em remissão.
E há uma mudança recente importante por trás dessa conversa. Em junho de 2026, foi formalizada a incorporação ao SUS de venetoclax combinado à azacitidina para adultos recém-diagnosticados com LMA que não sejam elegíveis à quimioterapia intensiva. A discussão, portanto, não acontece apenas em torno da experiência de uma pessoa conhecida: envolve como novas opções terapêuticas chegam, de fato, ao paciente da rede pública.

Fabiana estará ao lado de especialistas e representantes da área de saúde, entre eles o onco-hematologista Eduardo Rego, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular; Catherine Moura, CEO da Abrale; e Flavio Devoto, vice-presidente e gerente-geral da AbbVie no Brasil.
A história de Fabiana tornou a leucemia uma palavra conhecida por muita gente que talvez nunca tivesse parado para entender a doença. No dia 29, a conversa muda de lugar: da experiência dela para uma pergunta muito maior e bastante concreta. Quanto tempo um paciente do SUS pode esperar quando a doença não espera?