Felipe Folgosi fez declarações falsas sobre as vacinas contra a Covid-19 durante entrevista ao SiiLA NXT Podcast. O ex-ator da Globo afirmou que os imunizantes não teriam sido testados e disse que não os chama de vacina, mas de “tecnologia”.
Eu já estava com a lista do almoço encaminhada quando parei nessa fala, porque domingo também precisa de limite. Fofoca é uma coisa, minha gente. Espalhar mentira sobre vacina que salvou milhões de vidas é outra, e não cabe deboche leve nem pano quente.
“Politizou a questão. Se você entrasse no site da Moderna, tava lá que era uma terapia genética, algo que não foi testado”, declarou Folgosi.

A afirmação é falsa: as vacinas contra a Covid-19 passaram por estudos clínicos e tiveram segurança, eficácia e qualidade avaliadas antes da autorização sanitária.
A Anvisa afirma que todas as vacinas contra a Covid-19 aplicadas no Brasil e aprovadas pela agência tiveram eficácia e segurança comprovadas. A liberação envolveu análise de dados pré-clínicos, ensaios em humanos nas fases 1, 2 e 3, além de avaliação de qualidade e monitoramento posterior.
Felipe também disse que teria sido “forçado” a injetar tecnologias no próprio corpo e classificou a vacinação como “um crime contra a humanidade”. Ele não apresentou evidências para sustentar as declarações, que contrariam o consenso científico e as informações das autoridades sanitárias.

E não é uma discussão abstrata de internet. Vacina teve eventos adversos raros monitorados, atualizações de bula e vigilância contínua, como acontece com outros medicamentos. Isso é justamente ciência funcionando, não sinal de que o imunizante foi escondido, inventado ou aplicado sem avaliação.
A evidência de impacto também existe fora da teoria: estudo publicado na The Lancet Infectious Diseases estimou que as vacinas evitaram cerca de 19,8 milhões de mortes no mundo no primeiro ano da campanha global de imunização.
Eu vou voltar para a programação de domingo, mas sem deixar passar: artista pode ter opinião, crítica e dúvida. O que não pode é usar microfone para reembalar desinformação como pensamento crítico e deixar o público achando que mentira tem o mesmo peso que evidência científica.
A fala repercutiu nas redes e reforçou um problema que a pandemia deixou bem claro: conteúdo falso sobre saúde não fica preso no podcast. Ele circula, assusta, faz gente abandonar proteção e reaparece justamente quando parecia que já tinha sido desmontado.