O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), reagiu à hostilização sofrida pela filha por um apoiador de Jair Bolsonaro. Em vídeo, o político, que se declara bolsonarista, afirmou que procuraria o homem responsável pelas ofensas e cobrou respeito à posição política da jovem, apoiadora do PT.
Eu estava cortando os tomates da salada quando ouvi a frase e parei com a faca no ar: “Eu vou te achar”. Não porque pai não tenha o direito de se revoltar vendo a filha atacada, mas porque chegamos ao ponto em que uma escolha eleitoral vira licença para alguém insultar filha dos outros.

Ferro deixou claro que a divergência existe dentro da própria casa. “Eu sou Bolsonaro, ela é PT. Respeita”, afirmou. E olha só, minhas filhas: um prefeito do PL precisou explicar o básico para gente que diz defender família, respeito e Deus em cada postagem.
Eu misturei as folhas na tigela e pensei que a democracia tinha que ser mais simples do que isso. Pai vota de um lado, filha vota de outro, cada um segue vivo, amado e com direito de falar. Não é uma guerra civil, é uma família brasileira.
Na gravação, o prefeito se dirige ao autor das ofensas em tom de revolta e pergunta por que ele não teria se voltado contra o pai, em vez de atacar a jovem. Também cobrou providências de quem seria responsável por zelar pela segurança dela.
Eu fui colocar o prato na mesa e me veio uma ironia amarga: tem bolsonarista atacando filha petista de bolsonarista, e o próprio pai bolsonarista precisando entrar em cena para defender que ela seja tratada como pessoa. A intolerância conseguiu perder até o manual do próprio grupo.
Ferro usou palavras duras contra o homem que teria hostilizado sua filha, mas o ponto central do vídeo foi outro: ninguém deveria ser perseguido ou humilhado por posição política. Nem na rua, nem na internet, nem dentro de uma família que pensa diferente.

Eu sentei para almoçar e fiquei com esse recado atravessado: discordar não autoriza ninguém a desrespeitar, muito menos a atacar mulher jovem por causa de voto. Quem confunde política com permissão para agressão não está defendendo lado nenhum, está apenas passando vergonha.

No fim, a filha petista recebeu defesa pública do pai bolsonarista. E talvez essa seja a parte que mais incomoda os radicais: amor familiar não precisa obedecer à urna para existir.