Fábio Porchat cancelou duas apresentações em São Paulo após um acidente deixar feridos antes de seu show, e eu estava no Cosme Velho naquele momento perigoso entre “vou preparar o almoço” e “vou só olhar mais uma coisinha no celular”. Abri a despensa, encarei uma massa, um arroz, dois tomates e a minha absoluta falta de vocação para decidir cardápio sob pressão, quando a notícia chegou com peso de susto real. Domingo pode até dar preguiça, meu amor, mas bastidor de teatro quando dá errado tira qualquer um do modo descanso.
O acidente aconteceu no sábado (16), no Teatro Humboldt, em Interlagos, na zona sul de São Paulo, pouco antes de uma apresentação de Fábio Porchat. Segundo o próprio humorista contou nas redes sociais, uma técnica caiu de uma altura elevada enquanto ajustava luzes e refletores do teatro.
Na queda, equipamentos, caixas de som e estruturas de iluminação atingiram pessoas que estavam na plateia. Alguns fãs precisaram de atendimento médico, e duas apresentações acabaram canceladas.

“A gente lamenta o horror de isso ter acontecido. A gente está em contato com as pessoas. Ninguém em estado grave. A gente vai descobrir mais conforme o dia a noite forem passando”, declarou Porchat.
A situação, segundo ele, foi grave, mas não teve mortos nem feridos em estado grave. O humorista também afirmou que a técnica envolvida no acidente passa bem. Ainda assim, o susto foi grande para quem estava no local aguardando o início do espetáculo.

E aqui a coluna muda o tom, porque uma coisa é fofoca de camarim, outra é acidente envolvendo trabalhador e público. Teatro é feito de luz bonita, piada no tempo certo e plateia rindo no escuro, mas antes disso tudo existe uma operação pesada, com gente subindo, montando, puxando cabo, ajustando refletor e fazendo o espetáculo parecer simples. Não é simples. Nunca foi.
Porchat também explicou que o público será ressarcido pelo valor dos ingressos e que novas datas devem ser buscadas para as duas sessões canceladas.
No fim, Porchat pediu desculpas ao público pelo susto e torceu pela recuperação dos envolvidos. “Fica aqui meu pedido de desculpas para todos vocês pelo susto, uma coisa que não está nas nossas mãos e torcendo para que as pessoas que se machucaram de alguma forma se recuperem o quanto antes. Vai dar tudo certo”, encerrou.
No português claro da minha cozinha, onde eu ainda tentava decidir se o almoço seria digno ou só funcional: palco nenhum vale mais do que a vida de quem monta, opera e assiste. A comédia pode esperar nova data. O ingresso pode ser devolvido. O que não pode é naturalizar susto como se fosse parte do espetáculo.