Kátia Flávia estava em casa, no meio de uma reunião com o pessoal de Brasília, quando alguém jogou no grupo o desabafo de Eric Bretas no LinkedIn. Minha filha, a reunião praticamente parou. Porque uma coisa é disputa por audiência. Outra é pegar o filé que o vizinho assou e esquecer de contar quem acendeu a churrasqueira.
Bretas foi direto ao ponto: afirmou que o Estadão tem como regra creditar os furos dos concorrentes e reclamou que veículos de peso não fizeram o mesmo depois de uma sequência de reportagens exclusivas publicadas pelo jornal.

Segundo o executivo, os repórteres Aguirre Talento, Fausto Macedo e Felipe Paula revelaram, entre outros pontos, informações envolvendo Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes e o escritório de Viviane Barci. As reportagens tiveram enorme repercussão política e, posteriormente, o sigilo da investigação foi suspenso.
E aí está justamente o centro do recado de Bretas: o fato de uma informação se tornar pública depois não apaga quem a revelou primeiro. Furo tem autor. Apuração tem custo, telefone, fonte, documento, madrugada e repórter enchendo a paciência de meio mundo até conseguir confirmar uma história.
Eu conheço Eric desde os tempos de Globo e sei o profissional de altíssimo nível que ele é. Portanto, quando um executivo desse tamanho resolve sair da sala da administração e fazer publicamente uma cobrança dessas, pode apostar: a chaleira já estava apitando havia algum tempo.

Bretas encerrou dizendo que o Estadão continuará creditando os concorrentes quando eles chegarem primeiro, “em respeito ao veículo, aos jornalistas envolvidos e ao próprio jornalismo”.
E nisso, desculpa, não tem algoritmo, rivalidade nem briga por clique que dê jeito: quem deu primeiro, deu primeiro. O resto é repercussão.