Estava almoçando de frente para o porto em Bari quando minha fonte em Los Angeles me ligou para falar de Erin Moriarty. Não é o tipo de notícia que se recebe com displicência. A atriz que deu vida a Starlight em The Boys gravou a quinta e última temporada da série carregando, quase sozinha, o peso de um diagnóstico autoimune que o público ainda não conhecia.
Em entrevista ao Hollywood Reporter, Moriarty revelou ter recebido o diagnóstico da doença de Graves em 2025, já no meio das filmagens da reta final de The Boys. A condição afeta a glândula tireoide, forçando o sistema imunológico a atacar o próprio organismo e provocar hipertireoidismo com sintomas que vão de fadiga intensa a alterações na visão e batimentos cardíacos irregulares. Ela descreveu os primeiros episódios da temporada como os mais difíceis, e disse que só recuperou parte do equilíbrio físico e mental perto do sétimo episódio.



Nas próprias palavras da atriz, era uma questão de sobreviver a cada dia. Ela relatou ter passado boa parte das filmagens tentando administrar os sintomas enquanto mantinha a performance em cena, e declarou ao Hollywood Reporter: “Eu estava todos os dias lutando muito para conseguir lidar com tudo.” A entrevista circulou amplamente nos Estados Unidos e chegou ao Brasil pelas editorias de saúde, não de entretenimento.
A decisão de não assistir à temporada final de The Boys, série que a projetou internacionalmente, diz muito sobre o peso do que ela viveu. Moriarty foi direta: para ela, priorizar a saúde psicológica estava acima de qualquer outra consideração, inclusive a de ver o próprio trabalho concluído. A doença de Graves é mais comum em mulheres e, sem acompanhamento adequado, pode evoluir para complicações sérias. O simples fato de ela ter concluído as gravações já é uma declaração de resistência.
O que fica dessa revelação vai além da série. Erin Moriarty escolheu falar publicamente sobre uma condição que ainda carrega o estigma da invisibilidade, porque seus sintomas frequentemente se confundem com exaustão comum de set. Que essa coragem de nomear o que estava enfrentando chegue a outras pessoas que ainda estão tentando entender o que sentem no próprio corpo.