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Kátia Flávia
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Erin Moriarty: doença de Graves e internação durante gravações de The Boys

A atriz que interpretou Luz-Estrela por sete temporadas revelou em artigo na revista Time que conviveu com uma doença autoimune grave sem diagnóstico enquanto gravava sob os holofotes. E o que ela passou, minha gente, é uma história que deveria estar em cartaz em todo consultório médico do planeta.

Kátia Flávia

23/05/2026 8h34

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A Luz-Estrela da série “The Boys” da Prime Video revelou diagnóstico de doença de Graves e criticou negligência médica. (Foto: Reprodução/O Globo)

Estava eu aqui no Cosme Velho, com a televisão ligada como sempre, quando a notícia da Erin Moriarty chegou e me parou de vez. Não é fofoca, não tem graça nenhuma, e é exatamente por isso que precisa ser contado direito: a atriz de The Boys passou anos com uma doença séria, sem diagnóstico, sendo descredibilizada por médicos enquanto trabalhava em uma das séries mais assistidas do mundo.

Erin começou a apresentar os sintomas em 2023, sono excessivo, dormência nos membros, palpitações e falhas de memória, e foi encaminhada para avaliação atrás de avaliação. No caminho, recebeu diagnósticos errados que incluíram depressão, burnout, paralisias intestinais e até transtorno bipolar. “No fundo, eu sabia que nenhuma delas estava certa”, disse ela. O quadro piorou justamente durante as gravações da quinta temporada, quando ela estava mais exposta ao público do que nunca.

O diagnóstico correto, a doença de Graves, condição autoimune que força a tireoide a produzir hormônio em excesso e é a principal causa do hipertireoidismo, só chegou em junho de 2025, por e-mail do endocrinologista. Dois meses depois, ela precisou ser internada por uma crise de saúde mental. Hoje segue em tratamento e define sua recuperação como “não linear”, palavra honesta demais para quem poderia simplesmente ficar calada.

Erin escreveu sobre tudo isso na Time porque não quis ficar quieta. “O silêncio tem consequências. A ignorância também”, disse. E ela está certa: o que aconteceu com ela tem nome, chama-se minimização de sintomas em mulheres, padrão amplamente documentado e criminosamente normalizado na medicina. Passar pelo inferno físico de uma doença crônica sem diagnóstico já devastaria qualquer pessoa. Fazer isso sob holofotes, com os sintomas virando alvo de especulação pública, é uma violência à parte.

Que Erin Moriarty esteja em recuperação é o que importa agora. E que essa coragem de falar abertamente sirva para que alguma mulher, em algum consultório, seja finalmente ouvida com a seriedade que merece.

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