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Kátia Flávia
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Érika Hilton dá fecho em jornalista após pergunta sobre banheiro trans

Deputada reagiu a questionamento feito por repórter e rebateu a abordagem sobre o uso de banheiros por pessoas trans

Kátia Flávia

27/05/2026 14h15

Érika Hilton rebateu repórter após pergunta sobre uso de banheiro por pessoas trans

Érika Hilton rebateu repórter após pergunta sobre uso de banheiro por pessoas trans

Érika Hilton (PSOL-SP) reagiu com firmeza a um repórter após ser questionada sobre o uso de banheiros por pessoas trans. O episódio ocorreu na terça-feira (26) e viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (27), depois que a deputada federal rebateu o teor da pergunta feita durante uma abordagem.

Eu tinha acabado de sair da manicure nos Jardins, tentando não destruir o esmalte dentro da bolsa, quando o vídeo chegou no grupo das fontes. Apertei o play achando que era mais uma dessas perguntas tortas de corredor político. Era pior. O repórter veio com banheiro trans, e Érika Hilton respondeu com a paciência de quem já entendeu que certas abordagens não querem informação, querem constrangimento. Eu parei na calçada, mão suspensa no ar, unha secando e sangue fervendo.

No vídeo que viralizou, o jornalista pergunta: “É a favor de trans em banheiro feminino?”. Érika não disfarçou o incômodo e devolveu a pergunta na hora.

“O que o senhor acha que eu sou, a favor ou contra? O senhor vai usar o banheiro comigo?”, respondeu a parlamentar.

Diante da insistência do repórter, Érika encerrou o assunto de forma direta: “Você já sabe a minha resposta”. Em outro trecho, a deputada também rebateu: “Quer que eu vá usar o banheiro com você? O banheiro que você usa? ME POUPE”.

A reação da parlamentar ocorre em meio ao debate sobre leis que tentam restringir o uso de banheiros por pessoas trans. No início de maio, Érika Hilton apresentou denúncia à Procuradoria-Geral da República contra uma lei aprovada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos.

Na ocasião, a deputada afirmou nas redes sociais que a medida poderia abrir espaço para fiscalização indevida e episódios de violência contra mulheres trans e outras mulheres que não se encaixem em padrões de aparência.

“Só vai servir para que políticos e/ou pervertidos tentem fiscalizar os órgãos de mulheres e meninas nas portas de banheiros, ou para que pessoas odiosas se sintam autorizadas a violentar mulheres trans ou qualquer mulher que fuja do padrão de beleza em banheiros. Normalmente, mulheres negras e lésbicas”, afirmou Érika.

A abordagem ao tema voltou a repercutir porque a pergunta feita à deputada foi vista por apoiadores como provocação, e não como tentativa real de discutir política pública. Érika Hilton, que é uma das principais vozes trans no Congresso, tem sido alvo frequente de ataques e questionamentos sobre o tema.

Eu entrei no carro ainda bufando, porque tem pergunta que já chega fantasiada de debate sério, mas vem com a indecência costurada na barra. Érika não caiu no teatro. Devolveu o constrangimento para quem tentou produzir constrangimento. E, olha, tem hora em que o fecho não é grosseria: é higiene pública.

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