Érika Hilton (PSOL-SP) reagiu com firmeza a um repórter após ser questionada sobre o uso de banheiros por pessoas trans. O episódio ocorreu na terça-feira (26) e viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (27), depois que a deputada federal rebateu o teor da pergunta feita durante uma abordagem.
Eu tinha acabado de sair da manicure nos Jardins, tentando não destruir o esmalte dentro da bolsa, quando o vídeo chegou no grupo das fontes. Apertei o play achando que era mais uma dessas perguntas tortas de corredor político. Era pior. O repórter veio com banheiro trans, e Érika Hilton respondeu com a paciência de quem já entendeu que certas abordagens não querem informação, querem constrangimento. Eu parei na calçada, mão suspensa no ar, unha secando e sangue fervendo.

No vídeo que viralizou, o jornalista pergunta: “É a favor de trans em banheiro feminino?”. Érika não disfarçou o incômodo e devolveu a pergunta na hora.
“O que o senhor acha que eu sou, a favor ou contra? O senhor vai usar o banheiro comigo?”, respondeu a parlamentar.
Diante da insistência do repórter, Érika encerrou o assunto de forma direta: “Você já sabe a minha resposta”. Em outro trecho, a deputada também rebateu: “Quer que eu vá usar o banheiro com você? O banheiro que você usa? ME POUPE”.
A reação da parlamentar ocorre em meio ao debate sobre leis que tentam restringir o uso de banheiros por pessoas trans. No início de maio, Érika Hilton apresentou denúncia à Procuradoria-Geral da República contra uma lei aprovada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos.
Na ocasião, a deputada afirmou nas redes sociais que a medida poderia abrir espaço para fiscalização indevida e episódios de violência contra mulheres trans e outras mulheres que não se encaixem em padrões de aparência.
“Só vai servir para que políticos e/ou pervertidos tentem fiscalizar os órgãos de mulheres e meninas nas portas de banheiros, ou para que pessoas odiosas se sintam autorizadas a violentar mulheres trans ou qualquer mulher que fuja do padrão de beleza em banheiros. Normalmente, mulheres negras e lésbicas”, afirmou Érika.

A abordagem ao tema voltou a repercutir porque a pergunta feita à deputada foi vista por apoiadores como provocação, e não como tentativa real de discutir política pública. Érika Hilton, que é uma das principais vozes trans no Congresso, tem sido alvo frequente de ataques e questionamentos sobre o tema.
Eu entrei no carro ainda bufando, porque tem pergunta que já chega fantasiada de debate sério, mas vem com a indecência costurada na barra. Érika não caiu no teatro. Devolveu o constrangimento para quem tentou produzir constrangimento. E, olha, tem hora em que o fecho não é grosseria: é higiene pública.