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Kátia Flávia
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“Era arriscado”: Eliezer admite que ignorou alerta jurídico antes de reality com funcionários virar caso de Justiça

Ex-BBB disse ao Melhor da Tarde que ele e Viih Tube foram avisados sobre riscos trabalhistas de As Patroas, mas decidiram seguir com o projeto mesmo assim.

Kátia Flávia

03/07/2026 17h15

Eliezer admitiu que recebeu alerta jurídico antes de lançar As Patroas

Eliezer admitiu que recebeu alerta jurídico antes de lançar As Patroas

Eliezer admitiu que ele e Viih Tube receberam alerta da equipe jurídica antes de lançar o reality As Patroas, programa com funcionários da família que passou a ser investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Em entrevista ao Melhor da Tarde, da Band, o ex-BBB confirmou que os advogados disseram que o formato era arriscado, mas que o casal decidiu seguir adiante.

Eu ainda estava no elevador do hotel em Nova York, segurando meu café gelado com uma mão e tentando não parecer chocada com o ar-condicionado polar americano, quando vi Eliezer dizendo ao vivo que o jurídico avisou. Minha filha, quase deixei o copo escorregar. Porque uma coisa é errar sem perceber. Outra é ouvir “isso é arriscado”, apertar o botão do elevador e subir direto para o Ministério Público do Trabalho.

Reality com funcionários de Viih Tube e Eliezer passou a ser investigado pelo MPT
Reality com funcionários de Viih Tube e Eliezer passou a ser investigado pelo MPT

A declaração foi feita nesta quinta-feira (2), durante entrevista ao programa Melhor da Tarde. Chris Flores perguntou se Eliezer e Viih Tube haviam consultado advogados antes do lançamento do reality, que colocou funcionários da casa em dinâmicas por um prêmio de R$ 60 mil.

O influenciador explicou que, segundo ele, tudo foi apresentado previamente aos participantes. Ele afirmou que roteiro, figurino, desafios e locais das provas eram detalhados antes, e que apenas as conversas espontâneas entre os colaboradores não eram combinadas.

Mas a pergunta decisiva veio quando Chris Flores quis saber se o departamento jurídico havia alertado para possíveis questionamentos trabalhistas. Eliezer confirmou.

“Alertou. Eles falaram que era arriscado”, afirmou.

Chris, então, perguntou se, mesmo assim, o casal decidiu seguir em frente. A resposta veio sem rodeio.

“Sim”, disse Eliezer.

Pronto. Aí está a frase que muda o peso da história. Porque até então a defesa pública girava em torno de intenção, contexto, contrato e participação voluntária. Mas admitir que havia alerta jurídico antes da estreia coloca outra camada no caso: eles sabiam que podia dar problema.

As Patroas virou alvo de críticas depois que cenas do primeiro episódio circularam nas redes. Funcionários da família apareceram em dinâmicas que incluíam procurar moedas em locais da casa, o que gerou acusação de exposição e humilhação. Depois da repercussão, o programa saiu do ar e o Ministério Público do Trabalho abriu procedimento para analisar o caso.

Eliezer reconheceu que o primeiro episódio, visto isoladamente, passou uma mensagem diferente da planejada. Segundo ele, o objetivo era provocar debate sobre a escala 6×1 e a precarização do trabalho.

“A gravidade, quando a gente pega o primeiro episódio sem nenhum contexto, igual foi feito, sim, muito grave. Foi do jeito que a gente queria chamar atenção. Chamou, mas não imaginava que era tanto”, afirmou.

Olha, eu entendo querer chamar atenção para a precarização do trabalho. O problema é escolher empregados reais, dentro da própria casa, para transformar esse debate em entretenimento patrocinável. O Brasil tem uma ferida aberta com trabalho doméstico, e brincar de reality nesse terreno é como entrar de salto fino em piso molhado: pode até parecer ousado, mas a queda vem com barulho.

Funcionários envolvidos chegaram a defender o projeto nas redes, afirmando que participaram por vontade própria, que tudo era regular e que estavam concorrendo a prêmios. Ainda assim, consentimento não encerra discussão trabalhista, especialmente quando existe relação de poder entre patrões e empregados.

É justamente aí que o MPT entra. A apuração não depende apenas de alguém ter assinado ou aceitado participar. O órgão pode avaliar se houve exposição inadequada, pressão indireta, desvio de função, constrangimento ou violação de direitos.

 Ex-BBB disse que o casal decidiu seguir com o projeto mesmo sabendo dos riscos
Ex-BBB disse que o casal decidiu seguir com o projeto mesmo sabendo dos riscos

E agora há a fala do próprio Eliezer admitindo que o jurídico avisou sobre o risco. Isso não significa culpa automática, claro. Mas significa que o casal não foi surpreendido por uma possibilidade invisível. A placa de “cuidado” estava ali. Eles passaram.

Eu, descendo para o lobby e tentando decidir se pedia outro café ou um advogado trabalhista para acompanhar a próxima publi de influencer, só consigo pensar que As Patroas virou o pior tipo de reality: aquele em que a treta principal não está no episódio, está no processo.

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