Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro ligada à família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC. Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público de São Paulo, a advogada e influenciadora aparece no núcleo financeiro de uma estrutura que teria sido usada para movimentar valores de origem ilícita por meio de uma transportadora.
Eu ainda estava no Aprazível, mas já tinha perdido a inocência do almoço fazia tempo. Depois da sobremesa, uma das meninas pediu café, outra pediu água com gás, e eu pedi silêncio por cinco minutos porque o telefone tinha aberto uma daquelas reportagens que a gente lê com a coluna reta. Deolane, Marcola, transportadora, lavagem de dinheiro e R$ 140 milhões na mesma história não é fofoca comum. É enredo de série criminal com advogado conferindo cada vírgula.
Segundo apuração do UOL, a investigação começou a partir de uma transportadora que seria usada em negócios ilícitos ligados a Marcola e ao irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha. O caminho levou os investigadores ao nome de Deolane, tratada no relatório como parte do chamado núcleo financeiro do suposto esquema.

De acordo com a polícia, Deolane seria “beneficiária de valores” que teriam origem em operações envolvendo a Lopes Lemos Transportes, empresa localizada nas proximidades da penitenciária de Presidente Venceslau. O relatório ainda afirma que empresas ligadas à influenciadora teriam sido usadas como “veículos de lavagem de dinheiro com movimentações vultosas e incompatíveis com a renda declarada”.
A investigação descreve uma estrutura dividida em núcleos. No topo, segundo a polícia, estariam os irmãos Camacho. Abaixo deles, filhos de Marcolinha teriam atuado como mensageiros de ordens. Em seguida, operadores ligados à transportadora fariam a movimentação prática dos valores. Deolane aparece no quarto núcleo, o financeiro, como suposta beneficiária de recursos.
Um dos nomes apontados como elo entre a transportadora e Deolane é Everton de Souza, conhecido pelos apelidos de Player ou Temer. Segundo o relatório, ele seria operador financeiro de confiança e indicaria contas para os chamados “acertos” e “fechamentos”. As autoridades afirmam que foi por meio dele que chegaram às contas da influenciadora.
Ainda de acordo com a investigação, quebras de sigilo bancário e fiscal teriam identificado movimentações superiores a R$ 140 milhões em créditos e débitos em contas pessoais e empresas ligadas a Deolane. A polícia também aponta a existência de empresas registradas em nome dela no interior de São Paulo que seriam suspeitas de funcionar como parte da engrenagem de lavagem.
A defesa de Deolane nega irregularidades. O advogado Aury Júnior afirmou que a influenciadora passou a ser alvo de uma “devassa” e que o inquérito, iniciado a partir de bilhetes encontrados em uma cela, acabou inserindo o nome dela anos depois por pagamentos recebidos em razão de sua atuação como advogada. Ele também classificou a prisão como vexatória e disse trabalhar para provar a ilegalidade da medida.
Marcola e Marcolinha também negam participação no esquema investigado. A defesa dos irmãos afirmou que eles não possuem titularidade direta ou indireta da transportadora mencionada. Já Paloma Camacho e Leonardo Camacho, filhos de Marcolinha, também negam envolvimento nos fatos.

Na quarta-feira (10), Deolane Bezerra foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um dia antes, na terça-feira (9), a Quinta Turma do STJ negou pedido de liberdade apresentado pela defesa.
Eu terminei o café olhando para a Baía de Guanabara e pensando que essa história está longe de acabar. Porque, quando uma investigação junta influenciadora milionária, transportadora, bilhete de presídio, núcleo financeiro e a família de Marcola, minha filha, não é só caso de polícia. É quebra-cabeça de poder, dinheiro e vaidade, daqueles em que cada peça nova faz a mesa inteira prender a respiração.