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Kátia Flávia
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Em depoimento à PF, dono da Choquei diz que ganha R$ 400 mil por mês

Rafael Souza Oliveira foi preso em Goiânia, interrogado e transferido para presídio no mesmo dia, numa quarta-feira que ninguém pediu mas todo mundo vai lembrar

Kátia Flávia

15/04/2026 17h00

Em depoimento à PF, dono da Choquei diz que ganha R$ 400 mil por mês | Créditos: Reprodução (Instagram)

Em depoimento à PF, dono da Choquei diz que ganha R$ 400 mil por mês | Créditos: Reprodução (Instagram)

Eu estava aqui em Positano tentando trabalhar com consciência tranquila quando a CNN Brasil soltou a informação ao vivo e meu telefone começou a vibrar sem parar. Parei. Respirei. Abri o aplicativo do @choquei por reflexo. Estava lá. Por enquanto.

Raphael Sousa Oliveira, dono da página @choquei, foi preso esta manhã em Goiânia pela Polícia Federal dentro de uma operação que investiga lavagem de dinheiro e uso de perfis de redes sociais para dar aparência de legalidade a fluxo financeiro oriundo de crime organizado. Depois da prisão, ele passou por interrogatório padrão de operação, acompanhado de advogado, e declarou à PF que recebe R$ 400 mil por mês de forma legal pela página. Disse não haver nenhuma irregularidade no fluxo financeiro da Choquei.


Após o depoimento, foi encaminhado para a carceragem da PF em Goiânia, mas como não havia espaço disponível, foi transferido para um presídio da capital que mantém vagas reservadas para presos de operações federais. O advogado dele não se manifestou até o fechamento desta coluna. A investigação aponta Raphael como um braço da organização investigada, e o escopo vai além do @choquei: ele também administra uma conta reserva da página com 5 milhões de seguidores e um perfil pessoal com 1,4 milhão, totalizando mais de 30 milhões de seguidores concentrados num único investigado.

No digital, o X entrou em colapso organizado assim que a notícia confirmou o nome. Uma parte da internet foi direto comemorar, com aquela energia de quem esperava essa pauta faz tempo. Outra parte foi checar se o @choquei ainda estava ativo, o que diz muito sobre a relação do brasileiro com a fonte de fofoca favorita: preso o dono, mas o feed precisa continuar. Os perfis de entretenimento que vivem de repostar o @choquei ficaram curiosamente quietos nas primeiras horas, e pelo menos dois influenciadores que costumam citar a página como fonte sumiram dos stories exatamente no período entre a prisão e o início do interrogatório.

O número de R$ 400 mil por mês declarado em depoimento é o dado que vai ancorar essa história por um bom tempo, e não por acaso. A PF não prende o dono de uma página de fofoca com 27 milhões de seguidores porque está entediada numa quarta-feira. A tese da operação é que esse volume de dinheiro e esse alcance de audiência foram usados para movimentar recursos com aparência de legalidade. O @choquei virou, na narrativa da investigação, uma estrutura de mídia com função financeira. Isso transforma a conversa sobre “página de fofoca” em algo consideravelmente mais complicado, e quem tratou essa prisão como entretenimento vai ter que reler os documentos com mais atenção nos próximos dias.

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