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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Eliana chega definitivamente à Globo como a última grande estrela popular da TV

Depois de mais de três décadas diante das câmeras, Eliana estreia na Globo levando algo que o mercado persegue há anos e quase ninguém entrega de verdade: identificação popular com credibilidade comercial.

Kátia Flávia

15/03/2026 15h28

em família com eliana

O novo programa da apresentadora estreia neste domingo (15) ás 14:15hs (Foto: globo/Bob Paulino)

Eliana não virou um nome forte da televisão brasileira por acaso, por sorte ou por ter sobrevivido ao tempo. Virou porque entendeu cedo uma coisa que muita estrela demora décadas para perceber: televisão não é só carisma, é permanência. E permanência, no Brasil, não se constrói apenas com ibope. Se constrói com intimidade. O público brasileiro viu Eliana crescer. Viu a menina de 1991 virar fenômeno infantil, virar aposta de auditório, virar mulher, mãe, comunicadora e marca. Isso produz uma autoridade rara. Não é só fama. É familiaridade. E familiaridade, em TV aberta, vale ouro.

A história dela começa com um traço que explica muito do que viria depois: insistência. Quando foi dispensada pelo SBT em meio ao caos econômico do Plano Collor, Eliana não saiu de cena resignada, nem foi cultivar mágoa em casa. Ficou na emissora tentando convencer Silvio Santos a mantê-la por perto, nem que fosse em outra função. Essa obstinação não é detalhe de biografia. É essência de carreira. Foi dali que nasceu uma apresentadora que entendeu, ainda muito jovem, que lugar na televisão não se herda, se disputa. Depois vieram o plano americano, o papel de carta, a música dos dedinhos, os licenciamentos, o império infantil. Mais de 300 produtos depois, Eliana não era apenas apresentadora. Já era um ativo de mercado.

em família com eliana
A família de Eliana participou do programa (Foto: Globo/Bob Paulino)

E o mercado publicitário gosta dela justamente por isso. Porque Eliana é uma combinação difícil de encontrar. Ela fala com a massa sem parecer artificial. É popular sem ser vulgarizada. É conhecida sem estar desgastada. Tem apelo familiar, conversa com mulher, com criança, com avó, com anunciante e com agência. Ela ocupa um lugar confortável para a publicidade porque transmite confiança. E confiança, no fim das contas, é o que vende. O anunciante não quer apenas audiência. Quer previsibilidade emocional. Quer uma figura que entre na casa das pessoas sem causar rejeição. Eliana faz isso há décadas com uma naturalidade que parece simples, mas é produto de muito cálculo, muito couro e muita inteligência.

A troca do SBT pela Record mostrou outra camada dessa trajetória. Eliana não foi apenas uma estrela infantil tentando sobreviver ao fim de um ciclo. Ela foi uma profissional que soube renegociar valor. Triplicou salário, ampliou espaço, apresentou dois programas ao mesmo tempo, consolidou peso de mercado. Depois, ao migrar do infantil para o adulto com o Tudo é Possível, fez o que quase sempre dá errado na televisão brasileira: atravessou uma mudança de linguagem sem perder identidade. Num domingo tradicionalmente masculino, barulhento e testosterônico, Eliana surgiu como uma alternativa de afeto, entretenimento e repertório popular. Ela não bateu na porta da televisão adulta pedindo licença. Entrou e rearrumou os móveis.

em família com eliana
Os primeiros convidados do programa foram o apresentador Pedro Bial e o cantor Belo (Foto: Globo/Bob Paulino)

Quando voltou ao SBT, em 2009, voltou pela porta da frente e com status de estrela. Não era mais promessa. Era certeza. E o que fez ali durante mais de 15 anos nas tardes de domingo foi o tipo de construção que pouca gente consegue sustentar. Em uma emissora que já enfrentava dificuldades crescentes para competir, ela costurou vice-liderança, relevância comercial e presença afetiva. Isso explica por que Eliana hoje é vista como uma das maiores apresentadoras do país. Não porque seja unanimidade, isso ninguém é. Mas porque reúne três coisas que quase nunca permanecem juntas por tanto tempo: memória popular, credibilidade e valor publicitário.

Agora, ao estrear seu programa autoral na Globo, Eliana encara talvez o maior desafio da carreira. Não porque precise provar talento, isso ela já fez até cansar. O desafio é outro: reposicionar uma figura absolutamente consolidada dentro de uma engrenagem nova, mais sofisticada, mais vigiada e também mais simbólica. Mas ela chega com algo que não se fabrica em reunião de branding nem em campanha de lançamento. Chega com história. E história, quando é real, o público reconhece na hora. Eliana pode até estrear num novo palco. Mas entra nele com a mesma força de sempre. A diferença é que agora o mercado inteiro está olhando. E com razão. Porque a menina dos dedinhos cresceu. E cresceu a ponto de virar instituição.

Em Família estreia hoje, às 14h15, revelando uma Eliana mais madura, mais consciente do seu tamanho e menos interessada em fazer barulho vazio. Na Globo, ela aposta num entretenimento de domingo que tenta ser acolhedor sem ser bobo, popular sem ser simplório.

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