A delegada Maria Aparecida Rezende Corsato afirmou que Deolane Bezerra tentou intimidá-la durante uma investigação de 2022 ao mostrar, no WhatsApp, contatos de policiais que seriam próximos dela. A declaração foi feita no podcast Café com Pires e voltou ao centro da briga depois que Solange Bezerra, mãe da advogada, atacou a policial nas redes sociais.
Eu estava no corredor do hotel em Nova York, esperando a máquina de gelo cuspir meia dúzia de pedras como se estivesse fazendo favor, quando voltei no trecho da entrevista da delegada. Do outro lado da porta, o ar-condicionado me chamava de volta; na tela do celular, Maria Corsato dizia que Deolane teria aberto o WhatsApp para mostrar contatos de policiais. Minha filha, ali tinha mais do que briga de story: tinha a frase “ele é meu amigo” virando peça central de uma história muito mais pesada.

Segundo Maria Corsato, o episódio aconteceu durante a investigação conduzida em 2022 contra Deolane, então suspeita de envolvimento em uma pirâmide financeira. A delegada contou que a advogada e uma irmã queriam a devolução de um carro apreendido em mandado de busca e apreensão.
Foi nesse contexto que, segundo a policial, Deolane teria pegado o celular e aberto o WhatsApp para mostrar nomes de agentes de segurança. “Ela e a irmã dela queriam que eu devolvesse o carro. Então, pegou o celular dela, abriu o WhatsApp: ‘tá vendo, ele é meu amigo, ele é meu amigo, ele é meu amigo…’. E mostrou os nomes de vários policiais”, afirmou a delegada.
A parte mais delicada veio em seguida. Maria disse que pelo menos dois desses policiais citados por Deolane acabaram presos pouco tempo depois. “Pelo menos dois deles foram presos um mês depois por envolvimento com o PCC.”
Olha, eu não sou delegada, mas sou fofoqueira com pós-graduação em subtexto. Quando uma pessoa investigada abre a lista de contatos para mostrar amizade com policial no meio de uma cobrança por bem apreendido, a mensagem não parece ser “olha que agenda movimentada”. Parece tentativa de medir força.
A fala da delegada voltou a circular depois que Solange Bezerra detonou Maria nas redes sociais. A mãe de Deolane chamou a policial de “ser rastejante”, “invejoso” e “digno de pena”, além de acusá-la de usar o cargo para extorquir, receber propina e proteger criminosos. A delegada negou as acusações e prometeu registrar boletim de ocorrência por calúnia e difamação.
“Vou fazer um boletim de ocorrência contra você por calúnia. Porque você falou que eu extorqui pessoas, que sou corrupta, e eu não sou. Calúnia e difamação, não vou admitir que levantem falso testemunho em relação à minha honra”, afirmou Maria.
A policial também disse que deixou uma procuração à disposição do advogado da família Bezerra para que sejam consultados, na Corregedoria, eventuais processos envolvendo seu nome.
“Você vai pegar a procuração, que está à sua disposição, e você vai pegar na Corregedoria todos os meus processos e vai expor na sua rede social”, desafiou.
Esse detalhe torna a fala da delegada ainda mais sensível. Não estamos falando apenas de uma troca de farpas entre uma mãe indignada e uma autoridade pública. Estamos falando de uma investigação antiga, de um carro apreendido, de supostas tentativas de pressão e de nomes de policiais que, segundo Maria, depois apareceram em caso ligado ao PCC.

A família Bezerra nega irregularidades e costuma tratar as ações contra Deolane como perseguição. A delegada, por sua vez, afirma que não vai aceitar acusações contra sua honra e promete acionar formalmente Solange.
No meio disso tudo, a frase “ele é meu amigo” virou o núcleo da nova bomba. Porque, se a intenção era impressionar a delegada, o tiro agora volta como manchete. E se tem uma coisa que essa história prova é que contato salvo no celular pode até abrir porta em camarote, mas em investigação vira trilha de pólvora.