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Kátia Flávia
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Efeito vexame: Globo reduz equipe da Copa após queda precoce do Brasil

Com a Seleção eliminada pela Noruega nas oitavas, profissionais dedicados ao dia a dia do time devem voltar ao país, enquanto parte da cobertura será remanejada para seleções que seguem no Mundial

Kátia Flávia

06/07/2026 17h30

Globo vai reduzir equipe de cobertura da Copa após eliminação do Brasil

Globo vai reduzir equipe de cobertura da Copa após eliminação do Brasil

A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo já começou a provocar mudanças também nos bastidores da televisão. Segundo Gabriel Vaquer, na coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a Globo vai reduzir a equipe enviada para a cobertura do Mundial após a derrota da Seleção para a Noruega nas oitavas de final.

Eu já tinha saído do hotel para uma volta curta perto dali, tentando fazer Nova York me devolver alguma energia antes do voo da noite, quando essa notícia apareceu no celular. Parei diante de uma vitrine caríssima, dessas que fazem a gente entender por que cartão de crédito também deveria ter terapia, e pensei: minha filha, o Brasil caiu tão cedo que até a logística da Globo teve que arrumar mala antes do planejado.

Profissionais ligados ao dia a dia da Seleção devem voltar ao país nos próximos dias
Profissionais ligados ao dia a dia da Seleção devem voltar ao país nos próximos dias

A redução deve atingir principalmente profissionais dedicados ao dia a dia da Seleção Brasileira, incluindo equipes de reportagem e produção. Parte deles voltará ao Brasil nos próximos dias, enquanto outros serão remanejados para acompanhar seleções que continuam vivas no torneio.

O movimento é comum em grandes coberturas esportivas quando a seleção principal de um país é eliminada, mas o simbolismo pesa. A Globo montou estrutura para uma Copa com Brasil protagonista, e agora precisa reorganizar a operação para seguir exibindo um Mundial em que o país virou espectador cedo demais.

Um dos nomes que deve voltar ao Brasil é Duda Dalponte, que acompanhava a rotina da Seleção em programas esportivos noturnos. Já narradores e comentaristas como Everaldo Marques e Ana Thaís Matos devem permanecer até a final, marcada para o dia 19.

A emissora ainda vai transmitir quatro jogos nas próximas fases: duas quartas de final, uma semifinal e a final. Ou seja, a Copa continua na tela, mas sem aquele tempero de esperança brasileira que move audiência, patrocinador, bolão de família e surto coletivo no grupo do condomínio.

E aqui está a crueldade do vexame: não foi só o torcedor que ficou sem chão. A eliminação mexe com programação, equipe, logística, anunciantes e até com o clima da cobertura. O Brasil saiu nas oitavas, e a maior emissora do país precisou recalcular a rota em plena competição.

A derrota para a Noruega também bateu na audiência. Na Grande São Paulo, a Globo marcou média de 31 pontos e pico de 32 durante a transmissão, o pior desempenho da emissora em jogos do Brasil nesta edição da Copa. Para uma Seleção que prometia hexa, entregar pior audiência e eliminação precoce é quase um combo promocional de constrangimento.

Profissionais ligados ao dia a dia da Seleção devem voltar ao país nos próximos dias
Profissionais ligados ao dia a dia da Seleção devem voltar ao país nos próximos dias

Eu fico imaginando o pessoal da produção, que preparou semanas de agenda, entrada ao vivo, hotel, campo de treino, bastidor e pauta emocional para acompanhar a Seleção até mais longe. Aí vem a Noruega, marca dois, manda o Brasil para casa e deixa metade da cobertura olhando para a planilha de retorno.

No fim, a Globo apenas está fazendo o que o futebol brasileiro obrigou todo mundo a fazer: reduzir expectativa. O Mundial segue, a transmissão segue, os profissionais seguem trabalhando. Mas o Brasil, que deveria ser o centro da cobertura, virou nota de rodapé dolorida. E quando até a equipe de TV precisa voltar antes da hora, é porque o vexame saiu do gramado e entrou no crachá.

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