Isabel Teixeira sabe que Pilar, sua vilã em “Quem Ama Cuida”, está fazendo estrago quando o público começa a xingar. Em entrevista ao NaTelinha, a atriz comemorou a rejeição à personagem, disse que ser odiada faz parte da função de uma boa vilã de novela e resumiu o espírito da coisa sem rodeio: “É pra xingar mesmo”.
Eu já estava no carro, ainda de legging, com a bolsa da academia no banco do lado e a água de coco balançando feito testemunha protegida no porta-copos, quando li Isabel Teixeira praticamente autorizando o Brasil a descer a lenha em Pilar. Minha filha, eu endireitei a coluna na hora. Porque atriz que entende que vilã boa não pede carinho, pede vaia, já entra no meu altar das mulheres perigosas da dramaturgia.

Na novela das nove, Pilar é ambiciosa, cruel e coleciona vítimas como quem organiza joias na gaveta. Ela persegue Adriana, personagem de Leticia Colin, tentou interditar Arthur, vivido por Antonio Fagundes, manipula Ulisses, papel de Alexandre Borges, intimida Ademir, de Dan Stulbach, trata a própria filha Brigitte, interpretada por Tatá Werneck, como lixo e ainda desconfia da paternidade do sobrinho, Tiago.
Isabel disse que ser odiada é sinal de missão cumprida. A atriz lembrou de Perpétua, personagem de Joana Fomm em “Tieta”, para explicar como aprendeu a odiar vilãs pela televisão.
“Hoje de manhã, eu estava pensando na Perpétua, da maravilhosa Joana Fomm. Eu assisti, eu não era adulta ainda, e eu a odiava… Muito! E eu acho que essa é a função, às vezes. Dependendo do autor, dependendo do estilo, da novela que a gente tá fazendo, essa é a função… Uma das funções de uma vilã… Odiar”, afirmou.
Isabel também fez uma leitura deliciosa e perigosa sobre o papel da personagem no imaginário do público. “Ela canaliza o ódio nacional. O que, talvez, seja uma coisa até interessante. Canalizar o ódio nacional num personagem de ficção, em um momento de um Brasil que a gente pode ter muitas polaridades”, disse.
Enquanto o carro atravessava o Leblon e eu tentava não derramar água de coco na roupa de treino, fiquei pensando: Pilar é tão venenosa que, se a Globo vendesse a personagem em frasco, vinha com bula, tarja preta e aviso para manter longe de herança familiar.
A atriz contou ainda que recebe esse ódio até no dia a dia e encara tudo com bom humor. “Então, eu entro no carro e o motorista, às vezes, fala: ‘Minha mãe tá odiando você!’. Eu falo pra ela xingar bastante, porque é pra xingar mesmo! Eu adoro esse termo: ‘a gente ama odiar!’. Eu me sinto honrada de ser tão odiada”, declarou.
E vem mais veneno por aí. A nova fase de “Quem Ama Cuida” está prevista para começar em 20 de julho, com novos personagens e a vingança de Adriana contra os responsáveis por sua prisão. Após cumprir parte da pena, a fisioterapeuta deixa a cadeia em liberdade condicional e vai atrás da família Brandão.
Para essa fase, Pilar também muda de visual. A vilã passa a ostentar uma vida ainda mais sofisticada, com figurinos, joias e cabelos longos e platinados. Isabel contou que, quando soube da mudança, achou uma loucura.

“Quando me falaram, eu disse que não era uma boa ideia. Eu fico péssima loira! Eu tenho a certeza… Eu me conheço… Eu convivo comigo há 52 anos, isso não vai dar certo”, relembrou. Só que ela mudou de opinião depois de ver o resultado. “Hoje, eu quero dizer que eu vou morrer loira”, brincou.
A atriz também revelou ao NaTelinha que o beijo dado por Pilar nas vítimas, sempre com jeito de bote, foi ideia da diretora Amora Mautner. “Uma cobra! Um beijo de escudo. Eu chamo de escrita da encenação, é uma das escritas cênicas de gesto, de composição, de jeito da Amora Mautner”, explicou.
Resumo da ópera: Isabel Teixeira não só sabe que Pilar é odiada, como agradece pelo xingamento, abraça a rejeição e ainda promete voltar loira para infernizar mais gente. Vilã quando é boa não entra em cena, minha filha. Ela atravessa a sala, rouba o ar e deixa o público procurando o chinelo para jogar na televisão.