Maya Braga, nora de Andressa Urach, recusou uma campanha de absorventes após perceber que a marca queria usar sua condição de saúde como conceito publicitário. A influenciadora tem útero didelfo, uma malformação congênita que, no caso dela, envolve dois úteros, dois colos uterinos e duas entradas vaginais.
Eu tinha acabado de atravessar a Plaça de Vila e seguia em direção ao Museu de Arte Contemporânea de Eivissa (MACE), com a garrafa de água com gás batendo dentro da bolsa, quando li a proposta. Minha filha, tem marca que vê uma condição íntima e já imagina slogan, briefing e cupom de desconto. Falta só pedir autorização para o útero fazer publi nos stories.

Maya disse que, de início, acreditou ter recebido uma ação comercial comum. Depois percebeu que toda a ideia se sustentava em sua intimidade: “Toda a campanha dependia de usar uma questão médica da minha vida para justificar o conceito de ‘absorção dupla’”.
O útero didelfo é uma condição em que há duplicação do útero e do colo uterino; em alguns casos, também existe uma divisão vaginal que resulta em duas vaginas. As características podem variar de pessoa para pessoa e o acompanhamento médico é individual.
A criadora de conteúdo decidiu recusar a proposta. “Eu me senti usada. Não estavam olhando para a minha história com respeito, mas pensando em como ela poderia gerar comentários, repercussão e vendas”, afirmou. E está certíssima: diagnóstico não é embalagem, experiência médica não é departamento de criação e intimidade não é ativo de campanha.
Maya disse que fala publicamente sobre a condição para informar outras mulheres, não para se transformar em vitrine de produto. “Eu posso explicar o que tenho e falar sobre a minha experiência, mas isso não significa que minha intimidade esteja disponível para virar slogan”, reforçou.

Cheguei ao MACE pensando que tem gente que ainda confunde visibilidade com disponibilidade. Maya contou uma história pessoal; a marca, segundo ela, enxergou uma oportunidade de venda. Ainda bem que encontrou uma mulher disposta a dizer não.