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Kátia Flávia
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Dr. Gustavo Becker destaca inovação com IA, cirurgias ao vivo e robótica no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

Realizado pela primeira vez em Balneário Camboriú, CBCP 2026 reúne especialistas brasileiros e estrangeiros, com direito a 12 procedimentos cirúrgicos ao vivo e discussões sobre tecnologia, cirurgia minimamente invasiva e os novos caminhos da especialidade.

Kátia Flávia

28/09/2026 13h45

Dr. Gustavo Becker durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú.

Dr. Gustavo Becker durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú.

Centenas de especialistas brasileiros e internacionais se reúnem em Balneário Camboriú (SC) para participar do 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia (CBCP 2026), com uma programação voltada às transformações que já estão chegando à prática médica. Realizado de 24 a 26 de setembro, sob a presidência do Dr. Gustavo Pereira Becker, o evento aposta em uma combinação de ciência, tecnologia, experiência clínica e participação mais ativa dos congressistas.

Pela primeira vez realizado em Santa Catarina, o congresso contou com cerca de 20 professores internacionais e uma programação que passou por cirurgia robótica, inteligência artificial, cirurgia minimamente invasiva, oncologia colorretal, doenças inflamatórias intestinais, distúrbios funcionais e do assoalho pélvico, além de doenças benignas.

“Receber o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia em Santa Catarina, pela primeira vez em nossa história, tem um significado muito especial. Nosso principal objetivo foi construir um congresso que preservasse a tradição e a qualidade científica da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, mas que, ao mesmo tempo, tivesse um olhar muito forte para o futuro”, afirma Gustavo Becker.

Segundo o presidente do evento e também coloproctologista, a proposta foi construir uma programação que não ficasse restrita apenas às novidades tecnológicas nem aos conteúdos tradicionais da especialidade. O principal critério foi reunir assuntos de relevância clínica e com alto potencial de impacto nos próximos anos.

A inteligência artificial foi um dos assuntos que mais ganhou espaço durante o congresso. Para Becker, a tecnologia já deixou de ser uma promessa distante e passou a fazer parte da medicina, com aplicações que envolvem análise de exames e imagens, endoscopia, organização de dados clínicos, pesquisa e educação médica.

“A inteligência artificial deixou de ser apenas uma perspectiva futura. Ela já está presente na medicina, seja no auxílio à análise de exames e imagens, na endoscopia, na organização de dados clínicos, na pesquisa científica, na educação médica e até no planejamento e suporte à tomada de decisão”, explica.

O evento também colocou em discussão os limites, a segurança e a responsabilidade médica no uso dessas ferramentas. “Provavelmente estamos diante de uma das maiores transformações da medicina nas próximas décadas”, acrescenta o médico.

A cirurgia robótica e as técnicas minimamente invasivas também aparecem entre os principais temas do congresso. De acordo com Becker, laparoscopia e cirurgia robótica já estão consolidadas em diferentes áreas da cirurgia colorretal, enquanto a tendência é de procedimentos cada vez mais precisos, personalizados e menos traumáticos.

“O próximo passo provavelmente não será apenas operar por incisões menores, mas utilizar tecnologia para aumentar precisão, previsibilidade e segurança”, afirma.

Cirurgias ao vivo e um congresso mais participativo

Um dos diferenciais do CBCP 2026 foram os cursos avançados de pré-congresso, que incluíram 12 cirurgias ao vivo. Segundo o presidente, a proposta é permitir que os participantes acompanhem não apenas a técnica, mas também as decisões tomadas durante um procedimento real.

“O participante observa o planejamento, os passos técnicos, as dificuldades, as adaptações e a forma como o cirurgião responde às situações que surgem durante o procedimento. Quando isso é realizado dentro de critérios rigorosos de segurança e ética, torna-se uma ferramenta extremamente rica para educação cirúrgica e para discussão entre profissionais experientes”, destaca Becker.

A própria estrutura do congresso foi pensada para fugir do formato baseado exclusivamente em longas sequências de palestras. Foram incluídas sessões interativas, espaços de discussão aberta, atividades de aproximação entre professores e participantes e recursos de gamificação. “Queremos que o participante seja menos espectador e mais parte do congresso”, resume.

Ao mesmo tempo, a programação manteve espaço para temas que vão além da cirurgia. Doenças inflamatórias intestinais, distúrbios funcionais, alterações do assoalho pélvico e doenças benignas continuam tendo papel importante na rotina do coloproctologista.

“Porque a coloproctologia é muito maior do que a cirurgia. O nosso paciente não pode ser reduzido a uma técnica ou a uma plataforma tecnológica”, afirma Becker. Para ele, a tecnologia deve estar a serviço do paciente, e não ocupar o centro da medicina.

Uma ponte entre Brasil e exterior

A presença internacional foi marcante no CBCP 2026. Segundo o presidente do congresso, reunir especialistas de diferentes países permite colocar em debate técnicas, protocolos e realidades distintas, além de criar uma via de mão dupla para a produção científica brasileira.

“Esse intercâmbio é fundamental. A medicina evolui rapidamente e nenhum país pode trabalhar de forma isolada”, afirma. Becker também ressalta que o congresso funciona como oportunidade para apresentar ao exterior a produção de serviços, pesquisadores e cirurgiões brasileiros.

A aproximação entre especialistas experientes, jovens médicos e residentes também esteve entre as preocupações da organização. Atividades mais abertas e interativas buscaram reduzir a distância entre as diferentes gerações da especialidade, criando oportunidades para perguntas, discussões de casos e contato mais direto com professores.

Para Gustavo Becker, o resultado esperado do encontro vai além do volume de informações apresentado durante os três dias. “Gostaria que cada participante retornasse para casa com pelo menos uma ideia capaz de melhorar efetivamente o cuidado de seus pacientes”, enfatiza.

Ainda segundo ele, a expectativa é que novas ideias possam surgir a partir de uma técnica, tecnologia, evidência científica ou mesmo de uma maneira diferente de enxergar determinado problema apresentado durante essas trocas entre diferentes profissionais. “Se conseguirmos gerar mudanças reais na prática dos colegas, teremos cumprido a missão do congresso”, finaliza.

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