Gente, eu não estou sabendo lidar com essa notícia. Dolly Parton morreu. Aos 80 anos. Li uma vez. Li de novo. Voltei. Fiquei olhando para a tela naquela esperança idiota de ter entendido alguma coisa errada. Não tinha entendido. A morte foi anunciada pela família nesta terça-feira (25).
Hoje eu guardo a Kátia fofoqueira na gaveta. Dolly era uma das minhas paixões. E em Flores de Aço era a minha favorita. Truvy, aquela cabeleireira com o cabelo quase chegando antes dela nos lugares, engraçada, generosa, dona daquele salão onde a vida inteira acontecia. Eu vi esse filme tantas vezes que Dolly virou memória afetiva minha.

A saúde da cantora vinha causando preocupação. Nos últimos meses, ela havia cancelado compromissos e falado publicamente sobre tratamentos e problemas de saúde. Ainda neste mês, precisou desistir de uma aparição no Dollywood depois de ser orientada pelos médicos a não viajar. Mesmo assim, continuava envolvida em projetos. Dolly parecia ter essa coisa de gente gigante: a gente sabe racionalmente que um dia vai embora, mas simplesmente não acredita.
E que mulher. “Jolene”, “9 to 5”, “I Will Always Love You”, cinema, televisão, composição, filantropia. Uma menina do Tennessee que virou uma das figuras mais reconhecidas da cultura americana e atravessou gerações sem precisar deixar de ser Dolly Parton por um segundo. Ao longo da carreira, venceu 11 Grammys e vendeu mais de 100 milhões de discos.
E ainda tinha aquela capacidade raríssima de existir muito além da própria música. Dolly virou atriz, empresária, referência de estilo e uma das grandes filantropas da cultura americana. Sua Imagination Library colocou livros nas mãos de milhões de crianças, enquanto suas composições atravessaram décadas e ganharam novas vidas nas vozes de outros artistas.
Hoje não tem deboche. Não consigo. Só fiquei lembrando daquela Truvy, de Flores de Aço, e pensando como algumas pessoas entram tanto na nossa vida pela televisão, pelo cinema e pela música que a gente esquece que nunca sentou ao lado delas.
Vai com Deus, Dolly.
Minha Truvy para sempre.